<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469</id><updated>2012-01-12T03:20:57.988Z</updated><category term='Just look around...'/><category term='A chave...'/><title type='text'>Manuscriptum</title><subtitle type='html'>Os nossos mestres de cerimónia para lhe dar as boas vindas a este blog!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-4084032264766921693</id><published>2009-12-03T21:16:00.003Z</published><updated>2009-12-03T21:46:26.617Z</updated><title type='text'>"As Memórias do Gil"</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SxgxmbyT3bI/AAAAAAAAAOo/sUyI6GwvXwg/s1600-h/acorrentado_porta.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SxgxmbyT3bI/AAAAAAAAAOo/sUyI6GwvXwg/s400/acorrentado_porta.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411129488649215410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na matilha, o Quixote era o líder. Avançava sempre destemido perante o perigo, normalmente irreal. Quando o perigo era iminente ninguém mais o via, de súbito era tomado por uma enxaqueca horrível. Algo semelhante àquelas cadelas cheias de laços e tótós, que andam sempre ao colo. Quando nos lançam olhares convidativos e lambem os lábios a provocar, mas depois, na aproximação temos que ouvir os insultos e os olhares de desdém das tias. Sim, porque cão de rico, não tem dona, tem tia. Vencido o obstáculo da tia, levamos sempre com as dores de cabeça delas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas cada um tinha o seu papel: o bobo da corte; o mais veloz roubava nas horas de ponta; o inteligente - que era eu, - delineava estratégias. O Pacho e o Quixote pelo tamanho apareciam em primeiro lugar em caso de intrusão abusiva, dizia assim  o letrado do grupo; o Jurisprudêncio. &lt;br /&gt;Nós todos em coro ladrávamos com variações ritmadas para parecemos mais e espantar os curiosos. Quando descobertos, dois saíam na madrugada seguinte para encontrar nova morada, porque aquela corria demasiados perigos. Até escolher casa definitiva para nos albergar, existiam turnos de vigia. Tivemos pena de sair da casa de praia, tinha tudo à mão e boas acessibilidades, sem caminhos de cabras para nos fazer doer as patas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando conseguimos a proeza de permanecer algum tempo sem mudanças, armazenamos os bens úteis e comida que dividimos democraticamente. No Verão, enterramos para permanecer fresco. No Inverno, era mais fácil de manter. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partíamos para zonas diversas: bairros chiques, onde a oferta poderia ser maior. Descobrimos que os pobres também desperdiçam demasiado. Os Outros, os mesmos pobres, dividiam connosco os restos dos mal governados.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Esta peça de teatro tem por objectivo chamar atenção para os direitos dos animais. Pretende ter uma vertente educacional nos públicos e visibilidade para o tema na sociedade. Este é um relato que nos mostra o outro lado do abandono, do mau trato, a vivência possível de quem sofre na pele as consequências desses actos. Apesar de fantasiado e adaptando as suas vivências às formas humanas. O que reproduz não deixa de ser real.... A finalidade primordial desta peça é a solidariedade para com associações zoófilas e campanhas de sensibilização/esterilização. )  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-4084032264766921693?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/4084032264766921693/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=4084032264766921693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/4084032264766921693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/4084032264766921693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2009/12/as-memorias-do-gil.html' title='&quot;As Memórias do Gil&quot;'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SxgxmbyT3bI/AAAAAAAAAOo/sUyI6GwvXwg/s72-c/acorrentado_porta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-4692161800745686207</id><published>2008-11-18T00:26:00.003Z</published><updated>2010-02-17T10:25:21.310Z</updated><title type='text'>O sotão da Glória</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SSINx8mVoYI/AAAAAAAAANU/GoC7NsvbiNo/s1600-h/sotao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269789665708581250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 328px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SSINx8mVoYI/AAAAAAAAANU/GoC7NsvbiNo/s400/sotao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; É um sótão velho com a madeira do tecto e paredes carcomida pelo bicho. As escadas íngremes e acanhadas que subo a custo, de cabeça baixa para evitar alguma pancada pelo exíguo pé direito.&lt;br /&gt;Glória vai à frente em silêncio, sei que não lhe era coisa fácil. A sujidade acumula-se nos cantos e a poeira repousa nos adornos de casa que jazem cada um por seu lado, também existem teias de aranhas, mais tímidas, nos seus rendilhados. Chegadas ao topo acolhe-nos um espaço amplo sob o redondo, com baús de carvalho à entrada de tampa abaulada, são cinco ao todo. Numa das paredes espreita um grande quadro de lousa, o pó não deixa ver o que está escrito. Aproximo-me. Pousado na borda superior está o que eu não via desde da minha escola primária, uma pega em madeira em forma de caneta, onde no bico uns ganchos em metal seguravam o pau de giz. Quem se lembra?&lt;br /&gt;Esquadros, réguas, o compasso grande em madeira com que a professora exemplificava no quadro. O globo. Até aquele velho armário de duas portas de vidro, tão característico, lá estava um igual, que saudades!&lt;br /&gt;No inicio, a avó Leonor insistiu na utilidade de ter aulas em casa, foi assim no primeiro ano. Com a minha renitência, queriam optar por um colégio interno. As minhas amigas de rua, as filhas dos caseiros eram livres, eu também queria ser. Tenho a ideia, vaga, que a minha mãe fazia tudo o que a avó Leonor lhe dizia. Imperou o bom senso de meu pai, que sem discussão, matriculou-me numa escola pública, onde andavam as minhas amigas, foi aí conclui a escola primária. Ainda um pouco distante da quinta, mas ia com a maior alegria. Era a Escola Primária do Bairro do Amial, mesmo perto da “Bouça das Regadas”, onde se situava a porta da mina de água que abastecia a quinta. Da VCI ainda se pode ver parte do aqueduto no recinto pertencente ao Hospital. O tio faz menção no testamento.&lt;br /&gt;Até faz sentido, toda aquela zona é abundante em lençóis freáticos vindos de Nascente. A arca de água, daí o nome, é um exemplo. No século XVI existiam três fontes, no então designado, Arca das Três Fontes.&lt;br /&gt;O burgo ainda ficava longe e a água era escassa para a população que vivia dentro das muralhas. A pedido do povo El-Rei D. Sebastião consentiu a autorização para aproveitar a água das três fontes de Paranhos, a ideia era encanar até à cidade. Para a ajuda dos gastos, a cidade ofereceu 1000 cruzados. O rei concedeu, mas não cumpriu a obra. Foi D. Filipe I, segundo de Espanha, que concretizou, acedendo à Câmara o aproveitamento da água. Pouco tempo depois chegava à Porta do Olival, através de um cano de pedra e também alcatruzes.&lt;br /&gt;O percurso desta canalização atravessava a Estrada de Braga, actual Rua do Amial, seguia pela Devesa do Agueto até ao Lugar do Regado, de onde continuava “acantilada em arcos”. Talvez fosse partir daqui, aproveitando o aqueduto existente, que a minha família mandasse construir por sua conta um prolongamento até a casa.&lt;br /&gt;A nossa quinta, onde vivi com a avó Leonor, ficava mesmo na fronteira entre a freguesia de Ramalde e Paranhos: lugar alto com boas vistas, terrenos férteis e água com fartura, rezavam assim as crónicas do princípio do século XX.&lt;br /&gt;Três carteiras de dois lugares compõem a cena, de tampo inclinado e uma zona côncava para os lápis e canetas. Está tudo ali, naquele local poeirento.&lt;br /&gt;As minhas memórias atravessam o tempo como um relâmpago, de repente estou sentada envergando uma bata branca, a professora Maria Luísa escreve exercícios no quadro, desenhado formas arredondadas para mim familiares. As letras.&lt;br /&gt;Sempre convivi com elas, embora não as dominasse.&lt;br /&gt;Éramos uma classe pequena. Alguns alunos faltavam nos primeiros dias, porque os pais não estavam conscientes da importância da escola, da falta que lhes iria fazer num futuro onde só uma arte não chega.&lt;br /&gt;- Imaginas o que seria aqui, neste espaço agora fechado?&lt;br /&gt;- Onde a sua mãe, Eduardinha, dava aulas às meninas da terra. Afirmei.&lt;br /&gt;- Aqui muita gente aprendeu a ler: crianças, meninas, mulheres, quem tinha vontade de saber. Como é amplo albergava não só a sala de aula improvisada, mas também, o recanto da leitura, da escrita, dos lavores. Era onde a minha mãe se refugiava para se dedicar ao que mais gostava de fazer. Cada canto tinha um nome, exibido num cartão com uma letra aprimorada colado na parede.&lt;br /&gt;- Este sótão tem imenso potencial, poderia fazer aqui algo muito giro.&lt;br /&gt;- Para quê?&lt;br /&gt;Uma expressão de tristeza toma conta dos olhos de Glória.&lt;br /&gt;Há duas grandes janelas de armação em ferro podre e esburacado que espreitam para o telhado. Os beirais enchem-se de terra e ervas, sementes que brotam trazidas pelo vento. Ao meu lado espreita Gloria.&lt;br /&gt;- Na primavera enche-se de flores selvagens, até papoilas nascem. Temos que mandar limpar, senão no Inverno há entupimentos desnecessários. Vê deste lado.&lt;br /&gt;É outra janela que alcança montes e vales, ao longe avista-se a cidade de Guimarães. Entre os montes verdes e castanhos sobressaem pintas de várias cores e formatos que polvilham a paisagem. Ecoam os toques das ave-marias na igreja.&lt;br /&gt;Perdidos por entre o pó duas poltronas de tecido adamascado num tom indecifrável espera que alguém lhe dê alguma utilidade, um candeeiro de pé com o abjour tombado faz o conjunto com uma mesa pequena, quadrada, vestida num castanho muito escuro. Adereços espalhados um pouco por todo o lado compõem o cenário: livros, malas de viagem, sombrinhas, marionetas de madeira, cadernos, folhas avulsas, uma máquina de escrever ferrugenta com o tampo em couro, pequenas telas, caixa de pinturas, pincéis, e vestidos, muitos vestidos estilo bella époque. Estávamos no Cantinho da leitura. Ali apodreciam ao tempo numa estante suja, exemplares de Rimbaud, Baudelaire, Anatole France Zola, Balzac e Verlaine.&lt;br /&gt;Um baú aberto mostra chapéus de feitios diversos com penas e abas compridas. No outro canto uma chaise-longue espreguiça-se pelo tédio dos seus dias, esquecida de ver gente por aqueles lados. Quatro canapés juntam a ela nesse queixume.&lt;br /&gt;Aborrecidos dias que devotados ao abandono, sem vida, aquele sótão fica em perpétua solidão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-4692161800745686207?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/4692161800745686207/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=4692161800745686207' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/4692161800745686207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/4692161800745686207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2008/11/o-soto-da-glria.html' title='O sotão da Glória'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SSINx8mVoYI/AAAAAAAAANU/GoC7NsvbiNo/s72-c/sotao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-2835090004818555921</id><published>2008-03-09T13:24:00.003Z</published><updated>2008-03-09T13:52:07.482Z</updated><title type='text'>O quê foi? Ah! Qiéres o quêi?</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R9Pq-0SJ-bI/AAAAAAAAAI8/gBwxGK89_9E/s1600-h/04_09%2520bairro%2520tipico.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175738761686415794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R9Pq-0SJ-bI/AAAAAAAAAI8/gBwxGK89_9E/s400/04_09%2520bairro%2520tipico.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;D. Amélia é uma mulher velha, só, rude e fingida.&lt;br /&gt;Mora num bairro típico, daqueles repletos de casas coloridas, subdivididos em exíguos compartimentos com tez escura, sombrios, e taciturnos.&lt;br /&gt;É usual abeirar-se do varandim, o único espaço do casebre com luz natural, e ali palrar aos berros gatafunhados com a vizinhança que momentaneamente aparece à janela.&lt;br /&gt;- Olha a grafonola, já está no poleiro! Gracejam os miúdos de rua.&lt;br /&gt;Tem sempre uma expressão desconfiada no olhar. Fala aos solavancos e tropeções na língua portuguesa. A sua voz é um trovão que se apodera da terra, rouca, soturna como vinda do além.&lt;br /&gt;Basta um perdido se acercar e perguntar algo em tom imperceptível. Que rebusca todo os impropérios que conhece num linguarejar fluido.&lt;br /&gt;E eis que em jeitos teatrais num papel de marafona: coloca as mãos na anca, bamboleia-se ritmadamente de um lado para o outro, nariz empinado, ladeia o rosto e com um olhar ameaçador reposta perante o terror do seu ouvinte.&lt;br /&gt;- O quê foi? Ah! Qiéres o quêi?&lt;br /&gt;Seja português ou estrangeiro que passe pelas ruelas de Miragaia, que com um sorriso nos lábios e gestos graciosos ouse falar-lhe, afugenta-se amedrontado pelo jocoso semblante da D. Amélia.&lt;br /&gt;Os putos e rapazotes que se reúnem à porta da taberna da ribeira, numa das toscas ruas daquele bairro. Sempre que avistavam um turista incauto perdido naquele labirinto, informavam com agrado:&lt;br /&gt;- Please, ask this lady! E apontavam radiantes para Amélia, que no Verão se sentava na soleira da porta.&lt;br /&gt;E lá iam de fininho, sorrindo, sozinhos ou em grupo ao encontro dela. Tocavam gentilmente no ombro. Endemoninhada, erguia-se num repente aos gritos a correr atrás das vítimas que, muitas vezes, fugiam uns para cada lado.&lt;br /&gt;Os vizinhos avisavam:&lt;br /&gt;- D. Amélia não pode tratar assim os turistas. Afugenta as pobres criaturas. Isso é mau para o negócio da zona.&lt;br /&gt;- Ai! Quero lá eu saber desses trastes que vêm para aqui insultar-me em estrangeiro. Não vê a cara deles de gozo?&lt;br /&gt;- Eles estão perdidos. Desejam que alguém lhes indique o caminho.&lt;br /&gt;- Ora essa! Isto é uma máfia a mando para me desinquietar a alma, resmungava a velha.&lt;br /&gt;Os jovens riam divertidos e chamavam, acenando:&lt;br /&gt;- Voltem aqui! Came back! Vien ici!&lt;br /&gt;Mas os visitantes partiam. Olhavam para trás e barafustavam articulando os braços.&lt;br /&gt;Era sempre assim. Amélia não sabia ser simpática, apenas rude e bruta. Talvez nunca ninguém lhe tenha ensinado gestos de cortesia.&lt;br /&gt;De qualquer modo, é uma mulher com genica, de espírito vivo e mordaz. Uma hipocondríaca nata, padece sempre de qualquer mal: a doença do vizinho, algo anunciado no telejornal ou descoberta entre as letras vivas de uma revista.&lt;br /&gt;Antes de a visitar tinha estado acamada, muito mal dos intestinos, com a doença da Língua Azul que se transformou em roxo com o passar do tempo. Foi-lhe transmitida por um ovo mal passado, dizia.&lt;br /&gt;Anteriormente, começou por sentir um vazio na cabeça e umas comichões na nuca. Foi ao hospital Santo António, onde queria ficar internada. Como a mandaram para casa, piorou da bicha-solitária que lhe comeu os fígados. E a doença das Vacas Loucas foi – lhe transmitida por um vírus hospitalar infiltrado no soro. Dentro das suas previsões, ainda agoirou que padecia de um ABS, que lhe tinha passado pelo miolo.&lt;br /&gt;Atreita aos vírus e outros padecimentos devido ao sangue fraco. Todas as noites, pela madrugada, sai de casa sem ninguém a ver com o seu carrinho roubado num supermercado. Percorre os contentores de lixo das redondezas onde recolhe as suas relíquias, por entre a esterqueira alheia. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-2835090004818555921?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/2835090004818555921/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=2835090004818555921' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/2835090004818555921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/2835090004818555921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2008/03/d.html' title='O quê foi? Ah! Qiéres o quêi?'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R9Pq-0SJ-bI/AAAAAAAAAI8/gBwxGK89_9E/s72-c/04_09%2520bairro%2520tipico.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-1532016870700703970</id><published>2008-03-05T20:48:00.004Z</published><updated>2008-03-09T05:09:18.364Z</updated><title type='text'>A carta anónima</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R88JU4Gl1yI/AAAAAAAAAIs/vHHbrwsIHXY/s1600-h/CARTA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174364751134054178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R88JU4Gl1yI/AAAAAAAAAIs/vHHbrwsIHXY/s400/CARTA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;“Francisco, morreu legando tudo à Santa Casa, em testamento datado e assinado pelo seu próprio punho.&lt;br /&gt;Uma das condições está descrita no artigo Duodécimo (Décimo Segundo) deste testamento, e não está a ser cumprida. Recordo que a senhorita é herdeira legítima destes bens. Essa alínea impõe à misericórdia encargos e obrigações vitalícias, que em caso de falta ou falha, a herança será distribuída em iguais partes pelos herdeiros referidos e mencionados no testamento.&lt;br /&gt;O lar que funcionava na casa da foi desactivado há alguns anos. De lá para cá, a casa tem sido exposta a vândalos, roubos e sujeita a um rasto de destruição (em anexo vão fotografias do seu estado actual). Foram colocados na quinta cães de guarda, que não evitam a degradação da casa e a perca de património cultural que é de todos.&lt;br /&gt;A Misericórdia tem por obrigação zelar pelos bens que lhe foram doados e confiados. Mas não o está a fazer. Tem tido uma atitude negligente, facilitadora, que justifica com o impasse de o projecto de recuperação estar retido nos meandros da Câmara Municipal para aprovação. Conflitos à parte, o dever mantém-se. E o imóvel é sujeito à intempérie e à degradação perdendo para sempre bens irrecuperáveis.&lt;br /&gt;Senhorita Matilde, há muito por descobrir. Acredite, neste anónimo que lhe escreve. Não me identifico, porque pertenço aos quadros de uma instituição, que mantém contactos com alguém influente, para uma futura negociação que irá transformar, se nada fizer, aquele espaço num empreendimento de luxo, pago a peso de ouro.&lt;br /&gt;É verdade também, que o actual PDM (Plano Director Municipal) o impede, destinando o local a espaço verde. Mas isso é rapidamente sanado, acredite. Nada mais posso fazer do que avisá-la.&lt;br /&gt;Apesar de revoltado, encontro-me engalfinhado nesta máquina, bem oleada, que me acorrenta de pés e mãos. A quem muitos a apelidam de sistema. Esta coisa, que apesar de vivermos em plena liberdade de expressão, estamos amarrados a ela, mesmo contrariados, porque as represálias pela “liberdade” seriam funestas.&lt;br /&gt;Compreende o que quero dizer: todos temos família para sustentar, contas para pagar, filhos a quem queremos dar uma vida melhor, as nossas limitações.&lt;br /&gt;Sei que achará estranha esta carta só com remetente, e até porá em causa a sua veracidade. Eu sei que perguntará, quem é este? O que me quererá?&lt;br /&gt;Sei também, que ponderará a sua vinda para Portugal porque saiu daqui demasiado desiludida para voltar tão rapidamente.&lt;br /&gt;Eu não sou um louco que decidiu investigar a vida alheia. Sou antes, um ser que acredita que ainda é possível mudar o curso das situações, mesmo quando parecem inevitáveis.&lt;br /&gt;Sei igualmente, que será um transtorno para a sua vida deixar Viena e o Architekturzentrum Wien onde trabalha, mesmo que seja temporariamente. É uma mudança brusca demais, quando se tem só uma carta e um testamento como argumento.&lt;br /&gt;Eu confesso que investiguei tudo, e tenho em meu poder uma cópia da prova de que é a legitima herdeira de D. Francisco.&lt;br /&gt;Irá ter uma surpresa, como eu tive. Há muito por desvendar.&lt;br /&gt;Poderia ter-lhe enviado toda a documentação, mas, com certeza, iria querer confirmar pelos seus próprios meios. De qualquer forma, a pesquisa iria ser realizada. Assim, decidi remeter-lhe unicamente as pontas desta enorme meada para que, por si, as desenlaçasse.&lt;br /&gt;Acabo esta carta, já longa, na esperança que não a ignore.&lt;br /&gt;Junto envio-lhe o testamento, com o parágrafo devidamente assinalado referente às obrigações que o seu tio-bisavó, chamemos assim, impunha à herdeira –, que não estão a ser cumpridas, e ainda, fotografias comprovando o estado actual da casa da Quinta em plena degradação.&lt;br /&gt;Dentro do volumoso envelope, há uma pequena carta lacrada, que só deve ser aberta, só e unicamente, no caso de decidir pela sua vinda a Portugal. E peço-lhe que só o faça em território nacional.&lt;br /&gt;Permita – me um conselho, senhorita Matilde, não conte a ninguém o seu propósito, pode correr riscos. Investigue sem levantar alaridos ou ruído desnecessário, quando reunir provas incriminatórias, não procure ninguém, não aclame por justiça perante os infractores. Eles são surdos aos direitos alheios e só olham para os interesses próprios. Apenas rume ao lugar certo, e surpreenda-os querendo a justiça que lhe é devida.&lt;br /&gt;Desejo-lhe coragem e perseverança. Eu vou estando atento. Quando começar a mexer no que não convém, onde trabalho haverá alarido, saberei que estará por perto.&lt;br /&gt;Despeço-me cordialmente,&lt;br /&gt;O desconhecido.” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-1532016870700703970?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/1532016870700703970/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=1532016870700703970' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/1532016870700703970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/1532016870700703970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2008/03/carta-annima.html' title='A carta anónima'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R88JU4Gl1yI/AAAAAAAAAIs/vHHbrwsIHXY/s72-c/CARTA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-4326975716665046297</id><published>2008-02-09T17:22:00.000Z</published><updated>2008-02-09T17:31:34.647Z</updated><title type='text'>Na casa</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R63iGBfXzSI/AAAAAAAAAH0/bOEO40UjEZA/s1600-h/luar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165032940770938146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R63iGBfXzSI/AAAAAAAAAH0/bOEO40UjEZA/s400/luar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Uma luz ténue espreita pela clarabóia partida, os raios infiltram-se pelas nesgas; entre vidraças quebradas, portadas destruídas, buracos na parede e tectos caídos.&lt;br /&gt;Um hall revestido a azulejo azul e branco mal conservado, a grande janela e porta para o exterior de onde se avistava outrora o primaveril jardim, em estilo romântico com bancos em pedra, muitos amores por lá passaram juntos e envolvidos no cheiro que imanava das tílias. Agora sim, consigo identificar onde estou, onde sempre quis entrar. Este espaço taciturno, destruído é a casa do tio Francisco. É a casa do tio Francisco, grito com toda a força. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Não faço a minha ideia como vim aqui parar. Estou sozinha, julgo, só eu e o luar que pelas frinchas me acompanha.&lt;br /&gt;Estou no rés-do-chão da casa. Salas, saletas, átrios, corredores; as divisões comunicam entre si, sempre com uma intenção habilmente pensada pelo mestre Nasoni.&lt;br /&gt;Encontro-me na antiga salinha de entrada, contígua à capela e à ante sala onde o capelão vestia os paramentos antes da missa. Trespasso às teias de aranha da entrada em meio arco e com colunas laterais para a área onde coabita a velha escadaria, majestosa nos seus tempos, com a porta principal da casa que se abre, quando não estava entaipada, para o frondoso jardim já na zona lateral.&lt;br /&gt;Preguiçosa, esgueiro-me pelo ponto mais elevado, para não ter que me baixar fugindo daquelas intermináveis teias que se colam a quem passa. Quase se tornam imperceptíveis, de modo, que não é de estranhar levar meia dúzia delas comigo.&lt;br /&gt;Do lado esquerdo, ergue-se a escadaria dividida em dois lanços laterais que se unem no corpo central. Pode não ser preciosidade arquitectónica, mas tem uma linha sóbria e elegante. Teve, noutras épocas quando por cá passaram os convivas do tio, amigos de tertúlia, companheiros de ideologias politica e partidárias. Agora, nesta casa de aspecto tosco, quase tudo se encontra numa posição oblíqua a minha verticalidade. Variadas vezes sou forçada a acompanhar o movimento das coisas para perceber o que é. Aquela pistola apontada em minha direcção, tão ameaçadora, suspensa no sopé das escadas, não é mais do que um pedaço do balaústre pendurado. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-4326975716665046297?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/4326975716665046297/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=4326975716665046297' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/4326975716665046297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/4326975716665046297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2008/02/na-casa.html' title='Na casa'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R63iGBfXzSI/AAAAAAAAAH0/bOEO40UjEZA/s72-c/luar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-5390798799681922142</id><published>2008-02-04T19:09:00.001Z</published><updated>2008-02-04T21:05:53.698Z</updated><title type='text'>O que aconteceu?</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R6djgmdqLHI/AAAAAAAAAHs/DoHWGVvkUFE/s1600-h/enigma18_fig2a.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163204909535472754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R6djgmdqLHI/AAAAAAAAAHs/DoHWGVvkUFE/s400/enigma18_fig2a.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou caída na pedra fria, frágil, tonta e perdida de mim mesma. De repente não sei onde estou. Onde estou?&lt;br /&gt;A minha perna direita está dormente, tenho a testa ferida, uma aguadilha percorre-me a cara e dá comichão. Acordei neste local gélido, olho em redor à procura de algo que identifique. Vejo claramente por uma janela destruída no cimo, a lua cheia que ilumina a noite e o espaço a onde me encontro. Há um foco que trespassa aquele buraco na parede e projecta-se na destruição e na sujidade. O chão é frio e ao redor amontoam-se paus e pedras. Agarro com forte e ergo-me com a mão numa soleira ainda um pouco alta. O barulho que faço ao tentar amparar-me ecoa pelo ar. Estarei sozinha? Não me consigo lembrar do que me terá acontecido. De pé vejo alguns barrotes no chão e bocados de balustres pertencentes a um corrimão. Os meus olhos já se habituaram à penumbra. Caminho estonteante, os pés esbarram na imundice da tralha tombada aqui e ali. Ali só as paredes resistem, o resto não aguenta a passagem do tempo.&lt;br /&gt;Um som de pássaro agoirento vagueia na noite, apesar de um luar límpido. Quero reconhecer aquele local.&lt;br /&gt;É um lugar insípido, de grande altura com paredes em pedra. Defronte, num ponto mais alto, aparece algo que se assemelha com um nicho de alguma dimensão na parede. Encaminho-me para lá, um degrau alto separa o espaço. Aquilo é um altar, eu estou numa capela nua, completamente despida dos adereços habituais que caracteriza aqueles sítios. No topo, a porta de madeira de acesso ao exterior está trancada, pelo menos pelo interior na abre, atrás de uma cortina de tecido aveludado e rota esconde-se uma passagem que dá para um átrio amplo e escuro como breu...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-5390798799681922142?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/5390798799681922142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=5390798799681922142' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/5390798799681922142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/5390798799681922142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2008/02/brevemente.html' title='O que aconteceu?'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R6djgmdqLHI/AAAAAAAAAHs/DoHWGVvkUFE/s72-c/enigma18_fig2a.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-3347929545252740263</id><published>2008-01-19T12:46:00.000Z</published><updated>2008-01-19T13:02:48.017Z</updated><title type='text'>Ai! Que bom liberdade...</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R5H0q4__eHI/AAAAAAAAAHk/133-RAxBjDs/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5157172066008397938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R5H0q4__eHI/AAAAAAAAAHk/133-RAxBjDs/s400/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ai! Que bom liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fazeres o que quiseres&lt;br /&gt;sem que ninguém faça alarde.&lt;br /&gt;Se fazes bem ou mal,&lt;br /&gt;Só tu sabes, só tu decides,&lt;br /&gt;se vais ou ficas.&lt;br /&gt;Sem criticas,&lt;br /&gt;boas ou más, não importa.&lt;br /&gt;A tua vontade comanda,&lt;br /&gt;o tempo é todo teu.&lt;br /&gt;Não tens ninguém que te limite&lt;br /&gt;com acusações infundadas,&lt;br /&gt;inventadas, disparatadas.&lt;br /&gt;Não tens ninguém que queira&lt;br /&gt;"comprar-te" o pensamento,&lt;br /&gt;que mine as tuas decisões,&lt;br /&gt;que faça escárnio com os teus sonhos&lt;br /&gt;e convicções.&lt;br /&gt;Ai! Que bom liberdade.....&lt;br /&gt;És dono de ti, gestor do teu tempo.&lt;br /&gt;poeta do teu mundo...&lt;br /&gt;Ai! Que bom liberdade....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;*****Podem continuar a prosa nos comentários... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-3347929545252740263?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/3347929545252740263/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=3347929545252740263' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/3347929545252740263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/3347929545252740263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2008/01/ai-que-bom-liberdade.html' title='Ai! Que bom liberdade...'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R5H0q4__eHI/AAAAAAAAAHk/133-RAxBjDs/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-4795349349804512397</id><published>2008-01-18T03:00:00.000Z</published><updated>2008-01-18T03:23:52.730Z</updated><title type='text'>A matilde vai voltar...em breve</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R5AbsI__eGI/AAAAAAAAAHc/83KnVFf5UuI/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156652018483296354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 260px; CURSOR: hand; HEIGHT: 263px; TEXT-ALIGN: center" height="133" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R5AbsI__eGI/AAAAAAAAAHc/83KnVFf5UuI/s400/images.jpg" width="223" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois deste intervalo das festas e do lançamento do livro Taxicidade, a Matilde está de volta. O tempo continua curto e a inspiração, às vezes, trai a vontade de escrever, mas vamos fazer um esforço, não é Matilde?&lt;br /&gt;A personagem Matilde continua à procura da verdade, da história da sua vida. Encontrou uns primos que a vão ajudar com muita informação útil e imprescindível para alcançar a verdade.&lt;br /&gt;A família está unida, todos almejam pelo mesmo objectivo; ver a Casa da Prelada com a dignidade que ela merece, a preservação de um património que é de todos nós, um legado histórico e arquitectónico que não queremos perder. A entidade a quem compete a sua manutenção está a falhar, a ser negligente. Já se perdeu muita coisa, alguma irrecuperável.&lt;br /&gt;A Matilde tem pressa de dar a conhecer a toda gente esta situação, de abanar consciências, de fazer tanto alarido para que alguma coisa seja feita antes que seja tarde demais!&lt;br /&gt;Vamos nos apressar, encafuar nos arquivos, recolher informação, domar esta imaginação rebelde e teclar, teclar, teclar, teclar, preencher muitas folhas em branco....Vamos ao trabalho. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-4795349349804512397?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/4795349349804512397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=4795349349804512397' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/4795349349804512397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/4795349349804512397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2008/01/matilde-vai-voltarem-breve.html' title='A matilde vai voltar...em breve'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R5AbsI__eGI/AAAAAAAAAHc/83KnVFf5UuI/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-3791590145382791251</id><published>2008-01-08T19:54:00.000Z</published><updated>2008-01-08T20:15:11.839Z</updated><title type='text'>As histórias de um táxi no Porto contadas em Lisboa</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R4PYII__eDI/AAAAAAAAAHE/7xSBNFFXjm4/s1600-h/Capa+Taxi+peq.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153200033008416818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R4PYII__eDI/AAAAAAAAAHE/7xSBNFFXjm4/s400/Capa+Taxi+peq.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;TAXICIDADE apresentado na capital&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um táxi. Cinco motoristas. Cinco dias úteis. Inúmeras histórias escritas nos estofos gastos de um velho Mercedes. O passo lento do taxímetro leva ao destino personagens que se revelam durante o percurso da viagem e das suas vidas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Magnólia Caffé, no Centro Comercial Saldanha Residence, recebe no próximo sábado, dia 12, a apresentação em Lisboa do livro, após um primeiro lançamento no Porto, no passado dia 20 de Dezembro. Mais uma vez, os comentários dos autores são acompanhados pela encenação de alguns excertos dos contos, por parte de um grupo de actores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taxicidade é um livro que nasceu do encontro entre cinco jovens desejosos de escrever e explorar em texto a sua criatividade. Andréa Menezes, Bruno Oliveira, Carlos Luís Ramalhão, Elsa Semedo e Nelson Reis conheceram-se num workshop de escrita criativa. O gosto pela literatura e as afinidades levaram-nos a manter o contacto após o fim do curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi num desses encontros que surgiu a ideia de aproveitar as diferenças de estilo para criar uma unidade comum – um livro cujos contos reflectem bem a individualidade de cada um, mas cujo tema central confere o fio condutor necessário à narrativa. Um táxi. O Porto. Cinco dias. E o resto ficou ao critério de cada um… O resultado é agora editado pela editora Pé de Página. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)" href="http://taxicidade.wordpress.com/" target="_blank"&gt;http://taxicidade.wordpress.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;12 de Janeiro&lt;br /&gt;16 horas&lt;br /&gt;Magnólia Caffé&lt;br /&gt;Centro Comercial Saldanha Residence&lt;br /&gt;Loja 0.06Av. Fontes Pereira de Melo nº 42 E&lt;br /&gt;Lisboa&lt;br /&gt;&lt;a onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)" href="http://65.110.80.140/espacos.cfm?zona=2" target="_blank"&gt;http://65.110.80.140/espacos.cfm?zona=2&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-3791590145382791251?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/3791590145382791251/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=3791590145382791251' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/3791590145382791251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/3791590145382791251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2008/01/as-histrias-de-um-txi-no-porto-contadas.html' title='As histórias de um táxi no Porto contadas em Lisboa'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R4PYII__eDI/AAAAAAAAAHE/7xSBNFFXjm4/s72-c/Capa+Taxi+peq.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-5525174521499859255</id><published>2008-01-06T08:49:00.000Z</published><updated>2008-01-06T09:21:37.417Z</updated><title type='text'>A Matilde está de volta, mas antes um excerto da Missão Táxi ....</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R4CdQI__eCI/AAAAAAAAAG8/qfuU_gAbTbY/s1600-h/adamastor.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152290874331199522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R4CdQI__eCI/AAAAAAAAAG8/qfuU_gAbTbY/s400/adamastor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“&lt;strong&gt;Missão Táxi”&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;in Taxicidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma mulher ambiciosa que sabe usar as oportunidades a seu belo proveito. Um taxista apaixonado com horror a poesia. Um fidalgo excêntrico e de bom coração membro da policia espacial, consultor das políticas interplanetárias, mandatário dos Serviços de Ordenamento da Via Láctea e Assuntos Externos e demais títulos. Um retrovisor curioso, eis a “&lt;em&gt;Missão Táxi&lt;/em&gt;” in &lt;em&gt;Taxicidade.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;" (...)&lt;br /&gt;- Que estória triste a tua. Estou impressionado, sofreste tanto. Mas agora ninguém te fará mal, eu estou aqui para te proteger.&lt;br /&gt;O sorriso trocista de Carla reflectiu-se em mim. Suspirou.&lt;br /&gt;- Agora sim, estou salva das atrocidades do mundo. Não há Adamastor que me assuste.&lt;br /&gt;- Esse era teu cliente?&lt;br /&gt;- Quem? O Adamastor? Era, era um cliente muito antigo que eu tinha, que me fez passar o Cabo das Tormentas.&lt;br /&gt;- Quando ele for ter contigo de novo, dá-lhe o meu número de telemóvel. Diz-lhe que eu quero-lhe falar com urgência.&lt;br /&gt;- Amor, acho que não vai ser possível, ele foi ao encontro do Vasco da Gama e ainda não voltou da viagem.&lt;br /&gt;- E quem é esse, também?&lt;br /&gt;- O Vasco da Gama? É outro cliente.&lt;br /&gt;- Tu estás bem servida, tantos gajos.&lt;br /&gt;- Já Luiz Vaz de Camões os cantava.&lt;br /&gt;- Ai! Brincalhona! Esse não é cliente, que eu sei. Afirma o taxista com ar sapiente.&lt;br /&gt;Penso que Carla, por vezes, só não desesperava porque lhe daria muito trabalho. Descomedido, para aquilo que António valia. Mesmo assim, experimentava por um lado mais pedagógico.&lt;br /&gt;- António, o Adamastor é uma figura mitológica, que simboliza a força da natureza como obstáculo à vontade do homem. Entendes?&lt;br /&gt;- Como queres tu que entenda essas coisas que dizes…. Eu nem sei do que estás a falar!!! Que o Adamastor era uma figura micro….qualquer coisa…microscópica? Então era pequenino? Se é pequenino porque têm, assim, tanto medo dele?&lt;br /&gt;Sempre que se tenta explicar algum significado a esta criatura; as perguntas ridículas e completamente despropositadas são em chorrilho. O que deixa qualquer pessoa desmotivada para um esclarecimento extra.&lt;br /&gt;- Não, não. Ouve bem, vou explicar-te pormenorizadamente: O Adamastor aparece num poema épico de Camões, um escritor português. Até agora tens dúvidas?&lt;br /&gt;- Não, até agora percebi tudo.&lt;br /&gt;- Essa personagem simboliza um gigante, uma espécie de obstáculo para intimidar os navegadores portugueses a não irem mais além. O poema que te falo, narra as conquistas dos homens do mar que tentavam navegar por trajectos nunca antes descobertos. O Adamastor é um gigante que se forma de uma nuvem, para amedrontar os audazes que lutam contra a força da natureza, o mar. Isto é tudo metafórico. Entendes? Ora conta lá por palavras tuas.&lt;br /&gt;Eu, um simples retrovisor, tinha compreendido perfeitamente. Mas…o riso, esse, já não continha há largos minutos. Se a minha gargalhada fosse audível aos humanos seria um trovão em plena tempestade, se o meu sorriso fosse luz seria um clarão que iluminava a cidade. A expressão de António era, contudo, indescritível: um misto de espanto e de assombro, parecia que o gigante Adamastor lhe tinha surgido em carne e osso no auge da fúria.&lt;br /&gt;- Sim…eu entendo…portantos, o gigante Adamastor apareceu montado numa nuvem aos marinheiros que andavam à procura do caminho porque o mar estava bravo. O gigante quer meter medo aos marujos, mas é tudo mentira…é bluff, invenção do tal, … Camões. É assim, não é?&lt;br /&gt;Carla está rendida. Nem ela, familiarizada às invenções engenhosas que a sua actividade profissional a obriga, teria se lembrado desta versão tão carinhosa do Adamastor, um autêntico boneco de peluche num formato mais erudito. Habituada a grandes combates, decidiu tentar intelectualizar, mais uma vez, António.&lt;br /&gt;- Que bluff? Tu não vês que estas narrações são fictícias. Isto é poesia, criação, criatividade! Faz parte de uma obra literária, é um universo fantasioso, único, de uma obra de arte. Consegues perceber a profundidade disto, António? Dizia em tom declamatório.&lt;br /&gt;- Meu bem! Eu não te quero arreliar, mas eu sou mesmo bom no volante. Essas coisas que me falas são bonitas, gosto de ouvir, mas não percebo.&lt;br /&gt;- António! Isto é fantasia, cada cabeça pode inventar uma estória, múltiplas personagens; cada personagem tem um carácter, uma fisionomia, tem uma vida que se vai multiplicando em contactos, esses conhecimentos também têm vida própria e amigos, e assim, vai crescendo uma obra que se transforma em numa “cidade imaginada”. Todo o livro contém elementos fantasistas criados pelo seu autor. Entendes?&lt;br /&gt;-Entendo, docinho. Entendo que cada estória é inventada por um escritor. Como fez o Luiz Camões que inventou tudo porque, se calhar, estava chateado com a vida. E depois, decidiu prejudicar a quem, anda lá na lida do mar. Estes artistas não são de confiança. Põem - se com brincadeiras dessas, depois ficam sem um olho, tomara…&lt;br /&gt;O meu riso continua convulsivo, como acontece com aqueles actores que quando sobem ao palco, ainda sem dizer nada, arrancam à plateia gargalhadas. António para mim é assim: Aparece constantemente com aquele ar apalermado, de cabelo desalinhado, olhos curiosos, com um sorriso plástico. É impossível de resistir.&lt;br /&gt;Carla não perde a pose, perante as constantes demonstrações de sabedoria de António. E continua, na sua solitária marcha rumo à instrução de uma mente simbólica.&lt;br /&gt;E explica, já no limite da paciência:&lt;br /&gt;- Por isso, vou recapitular: Ninguém se perdeu no mar, e muito menos apareceu um gigante montado numa nuvem. Entende de uma vez por todas, Luiz Vaz de Camões é um escritor quinhentista, que descreve, entre outros, a epopeia dos descobrimentos Portugueses. Na altura, Portugal desenvolvia a expansão através da conquista de novas terras, era pelo mar que os homens rumavam ao desconhecido nas suas embarcações. Eram destemidos marinheiros que partiam na busca de riqueza e matéria-prima. As especiarias, o ouro, a prata, o café, entre outros, foram produtos que originaram um movimento intenso de trocas comerciais nos portos marítimos Portugueses. Eu nem vou pedir, para repetires o que eu disse, porque com certeza teria algum ataque de cólera. Mas compreendeste o que eu falei?&lt;br /&gt;- Claro que compreendi. Tu explicas tão bem. Queres que repita?&lt;br /&gt;- Será preferível não arriscar. Prodigioso como és, tenho horror do que possa suceder ao teu cérebro, com tanta informação a ser canalizada de forma errada….algo iria estoirar, com certeza.(...)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-5525174521499859255?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/5525174521499859255/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=5525174521499859255' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/5525174521499859255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/5525174521499859255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2008/01/matilde-est-de-volta-mas-antes-um.html' title='A Matilde está de volta, mas antes um excerto da Missão Táxi ....'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R4CdQI__eCI/AAAAAAAAAG8/qfuU_gAbTbY/s72-c/adamastor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-577908965580632496</id><published>2007-12-22T14:57:00.000Z</published><updated>2007-12-22T21:08:26.127Z</updated><title type='text'>Feliz Natal!</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;img style="WIDTH: 397px; HEIGHT: 450px" height="450" alt="RecadosAnimados.com" src="http://i218.photobucket.com/albums/cc41/recadosanimados-religiosos/natal/1fb5c90a.gif" width="458" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Saúde para todos, Esperanças e fé renovadas, tolerância e amizades reforçadas, amor em demasia. Que a alegria nunca se acabe, mas se fraquejar, que seja a alavanca para a felicidade. Feliz Natal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-577908965580632496?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/577908965580632496/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=577908965580632496' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/577908965580632496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/577908965580632496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/12/feliz-natal.html' title='Feliz Natal!'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i218.photobucket.com/albums/cc41/recadosanimados-religiosos/natal/th_1fb5c90a.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-2366632240805337384</id><published>2007-12-14T01:46:00.000Z</published><updated>2007-12-14T02:30:43.331Z</updated><title type='text'>TaxiCidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R2HlKMSTONI/AAAAAAAAAGc/rl5pxU_DINM/s1600-h/cartaz+copy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5143644212693252306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 365px; CURSOR: hand; HEIGHT: 426px; TEXT-ALIGN: center" height="426" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R2HlKMSTONI/AAAAAAAAAGc/rl5pxU_DINM/s400/cartaz+copy.jpg" width="283" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não me esqueço dos contos de Natal, mas interrompo a minha intenção por algo importante.&lt;br /&gt;Porque estou feliz?&lt;br /&gt;Porque pode ser um início de um sonho. Algo materializado na nossa mão e digo nosso, porque não é um projecto só meu, mas de um grupo com um sonho comum.&lt;br /&gt;Aqui, onde me posso expressar livremente não obedecendo a critérios alheios. Aqui, onde me encontro e podem ler os que comigo estão ou já não.&lt;br /&gt;Aqui, para quem visita há um interesse qualquer, seja ele qual for. Quero partilhar que estou feliz, muito feliz e não tenho que esconder ou assumir um falso e contido:&lt;br /&gt;-Ai! que bom! Que fixe!&lt;br /&gt;Não. Estou mesmo feliz, feliz a valer...&lt;br /&gt;Não festejei com pulos, abraços ou pinotes no ar. Não. Estou calma, como já contasse com isto há muito tempo, apenas esperasse o momento certo. Chegou!&lt;br /&gt;Estou com um sorriso na cara que permanece eternamente e acho que vou adormecer com ele, se conseguir adormecer hoje....&lt;br /&gt;Agora, sei que há uma caminhada pela frente. Mas é um início, um caminho novo....Vamos lá....Quem vier por bem, venha também...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-2366632240805337384?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/2366632240805337384/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=2366632240805337384' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/2366632240805337384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/2366632240805337384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/12/taxicidade.html' title='TaxiCidade'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/R2HlKMSTONI/AAAAAAAAAGc/rl5pxU_DINM/s72-c/cartaz+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-9106418949862774929</id><published>2007-11-18T03:41:00.000Z</published><updated>2007-11-18T03:51:27.655Z</updated><title type='text'>A Felicidade exige valentia</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Rz-2l9fHr_I/AAAAAAAAAEo/REeSB4T0lkg/s1600-h/pessoa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134022863502159858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 145px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" height="170" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Rz-2l9fHr_I/AAAAAAAAAEo/REeSB4T0lkg/s400/pessoa.jpg" width="107" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A mestria de Pessoa e a simpatia de quem me enviou. Obrigada!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não&lt;br /&gt;esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela&lt;br /&gt;vá à falência.&lt;br /&gt;Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,&lt;br /&gt;incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos&lt;br /&gt;problemas e se tornar um autor da própria história.&lt;br /&gt;É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no&lt;br /&gt;recôndito da sua alma.&lt;br /&gt;É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter&lt;br /&gt;medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para&lt;br /&gt;ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.&lt;br /&gt;Pedras no caminho?&lt;br /&gt;Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-9106418949862774929?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/9106418949862774929/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=9106418949862774929' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/9106418949862774929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/9106418949862774929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/11/felicidade-exige-valentia.html' title='A Felicidade exige valentia'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Rz-2l9fHr_I/AAAAAAAAAEo/REeSB4T0lkg/s72-c/pessoa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-1452146729193275950</id><published>2007-10-14T16:06:00.000+01:00</published><updated>2007-10-14T17:38:19.511+01:00</updated><title type='text'>Esta semana desafio os visitantes deste blog a escreverem comigo.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/RxI_bT7jfhI/AAAAAAAAACo/ME1W2vA1VJg/s1600-h/cruz+de+malta.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121225464712756754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 326px; CURSOR: hand; HEIGHT: 246px; TEXT-ALIGN: center" height="115" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/RxI_bT7jfhI/AAAAAAAAACo/ME1W2vA1VJg/s400/cruz+de+malta.jpg" width="230" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Cruz de Malta: Emblema dos Cavaleiros de São João, que foram levados pelos turcos para a ilha de Malta. A força de seu significado vem de suas oito pontas, que expressam as forças centrípetas do espírito e a regeneração. Até hoje a Cruz de Malta é muito utilizada em condecorações militares.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;...Sendo assim, proponho um pequeno texto que será o inicio e vocês continuam (nos comentários), com a sequência da história. Este desafio tem a duração de uma semana a contar de hoje, 14/10. O desenvolvimento da narrativa que aqui surgir será respeitado. Agora é com vocês....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Encontro-me no Arquivo Distrital do Porto.&lt;br /&gt;Nos microfilmes que percorro em busca das certidões de antepassados. O número 4 apareceu-me variadas vezes, no canto superior esquerdo, logo antes da letra inicial. Existe um desenho que o envolve, a cruz de Malta.&lt;br /&gt;Carrego no botão para rebobinar lentamente. Verifico se o mesmo número ou símbolo se encontra nas diversas certidões de outras pessoas inseridas na bobine, mas não existe.&lt;br /&gt;De facto, só esta família é contemplada com tal mistério.&lt;br /&gt;Aumento a focagem para definir com nitidez aquele sinal, que se embaralha com os artefactos da primeira letra.&lt;br /&gt;Surpreende-me tal circunstância. Mudo de bobine, desta vez para a que contém os dados do meu tio trisavô e tataravô, respectivamente: pai e avó do tio Francisco. &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Num vigoroso frenesim da 349, para a 457, e 394. Em todas as certidões encontro o mesmo símbolo.&lt;br /&gt;Uma cruz composta por quatro triângulos, com a base recortada em forma de V no sentido ascendente. Um 4 bem desenhado na zona central, demarca bem os limites de união entre os triângulos. Aquela figura nada está relacionada com as letras que a circundam, não é extensão de um arabesco ou de alguma palavra... &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-1452146729193275950?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/1452146729193275950/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=1452146729193275950' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/1452146729193275950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/1452146729193275950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/10/esta-semana-desafio-os-visitantes-deste.html' title='Esta semana desafio os visitantes deste blog a escreverem comigo.'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/RxI_bT7jfhI/AAAAAAAAACo/ME1W2vA1VJg/s72-c/cruz+de+malta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-3277121884652467748</id><published>2007-10-08T23:04:00.000+01:00</published><updated>2007-10-09T16:12:03.421+01:00</updated><title type='text'>A alma do tio Francisco</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Rwq0FlddEpI/AAAAAAAAAB4/D339iZWNZWs/s1600-h/onTheGo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119101934507987602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Rwq0FlddEpI/AAAAAAAAAB4/D339iZWNZWs/s320/onTheGo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;- Eu gostaria de ter conhecido ainda no tempo do tio, exprimo eu animada.&lt;br /&gt;- Nesse tempo sim, valia a pena conhecer. Agora…nada há fazer, tudo mudou. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“ Em frente de dois frondosos obeliscos em granito de forma piramidal assentes em quatro esferas, no cimo repousa o símbolo heráldico da família, o castelo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A entrada anuncia-se. Ciprestes, Acácias Mimosa percorrem as bermas da alameda em terra batida até chegar ao imponente portão em ferro forjado. Ao fundo da avenida abre-se num largo ladeado por um muro em pedra com remate em forma de corda e cercadura ondulada. Em cada ponto do muro, nasce um pequeno castelo de quatro faces, onde graceja um desenho de uma porta e duas janelas em cada lado.&lt;br /&gt;O portão é ladeado por duas sereias em pedra e encimado por uma coroa. Um espaço aberto sorri, com um lago e um canteiro arredondado, onde um salgueiro-chorão com ar tristonho convida para nos acomodarmos à sua sombra e uma palmeira ergue-se para o céu com postura imperialista. Brotam esculturas com motivos florais espanhadas pelos canteiros, como algo que nasceu e ali se criou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Do lado esquerdo encostado ao muro ergue-se a casa. Ao cimo, do mesmo lado, a torre, a dita torre ilumina-se. A minha imaginação trabalha para tentar adivinhar o que lá se passará.&lt;br /&gt;No desenho original existiam quatro torres, em forma quadrangular, uma em cada canto do edifício, o projecto não se concretizou.&lt;br /&gt;A pequena capela enchia-se, onde as gentes dos arrabaldes assistiam à missa ao domingo. Os portões abriam-se e era vê-los chegar: velhos e novos, avós e netos, maridos e mulheres nas suas melhores vestes. As viúvas chorosas de lenço preto na cabeça, cabisbaixas com o terço na mão. O pároco almoçava sempre na quinta aos dias santos para não fazer desfeita ao D. Francisco, dizia.&lt;br /&gt;A casa constituída de rés-do-chão, primeiro e segundo andar. As janelas em fileira emparceiradas com varandim para a entrada. As linhas rectas debruam todo o edifício que traduz uma enorme simplicidade. Foi Nasoni que a desenhou, assim como, a arquitectura decorativa dos jardins: cada traçado foi concebido metodicamente, para preencher um espaço. Um antepassado nosso foi padrinho do primogénito de Nicolau Nasoni com a primeira mulher, Isabel Castriotto Rixaral, que morreu nova, talvez de parto. O filho foi baptizado com o nome de José. A família confiou ao arquitecto o projecto da casa e dos jardins.&lt;br /&gt;Um pequeno muro separa o terreiro de entrada do restante jardim onde o labirinto em bucho se esconde por trás da casa. Arbustos, árvores de fruto, estatuetas de formas humanas, canteiros floridos espalham - se pelo amplo espaço que vai até à área agrícola. A quinta tem nascente de água que corre à fartura pelos campos, os regos lavrados pelos homens ajudam a irrigar as culturas. Em altura de sementeira, homens e mulheres protegidos do sol que queima, com enxada na mão cavam, enquanto outra fileira deles lança a semente à terra. Entoam canções populares e as mulheres esganiçadas tomam balanço com o tronco, levam a mão ao cesto onde repousa a semente e agitam-se para terra que tem fome.&lt;br /&gt;Há hora das refeições destapam a marmita para dar sustento ao corpo. São elas que preparam o estaminé, onde todos se abancam, comem e saciam sede. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois volta-se à labuta do dia. Quando o calor aperta na hora do sol a pique, os trabalhadores do campo descansam à sombra, para depois regressar à ceifa pela fresca até o sol se pôr. E no fim, lá vão embora para voltar amanhã.&lt;br /&gt;O tio, na altura, já tinha perdido a mulher e o filho. Recuperava da dor que nunca curou, a morte do seu único descendente. Era habitual ficar a contemplar os camponeses no seu trabalho diário. D. Francisco sempre foi um pensador, circunspecto, introvertido, de poucas falas com terceiros, mas cortês e afável com os humildes. Afiançava que se identificava com eles. E tinha mesmo uma cumplicidade verdadeira.&lt;br /&gt;Atravessando os campos agrícolas, mesmo no limite deparasse com casas rurais, as habitações humildes dos caseiros. Construções em pedra de dois andares, em baixo a adega, as cortes dos animais de quinta, em cima a morada dos caseiros.&lt;br /&gt;Chegamos à mata densa onde repousam Pinheiros e Eucaliptos centenários. O tio nos dias mais quentes, ia dar as suas caminhadas na mata por ser mais fresco e o ambiente nostálgico ajuda a concentrar a mente, o pensamento aproxima-se da verdade, defendia sempre.&lt;br /&gt;Ao fundo do bosque surge um castelo de forma arredondada, fazendo lembrar algo semelhante com as "Mil e Uma Noites". Um cenário de mistério esconde aquela torre por detrás do arvoredo, é curioso como aquela zona tem sempre alguma neblina.&lt;br /&gt;Ali fizeram-se filmes por volta de 1920. A quinta já não nos pertencia. [...]&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aquele bosque - relembra a avó -. Traz lembranças, vai ao baú das memórias de qualquer criança. As árvores gigantescas têm braços medonhos que ameaçam com o baloiçar quando do vento sopra. Os cedros em forma de saco assemelham-se a fantasmas hirtos, ondulantes, algo fantasmagórico emerge daquele cenário.&lt;br /&gt;Quando o céu estava cinzento e ameaçava trovoada a paisagem era fantasticamente arrepiante, sinistra e assombrosa. O tio deixou escrito no seu diário: “em noite de trovoada ou lua cheia, a copa das árvores da mata desenham um horizonte incerto, uma linha escura, assustadora, como se o mundo acabasse ali. Nas noites em que os trovões relampejam sem cessar, observa-se um dos espectáculos mais bonitos que a natureza nos oferece”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;D. Francisco era uma figura interessante, curiosa na sua forma de estar e pensar.&lt;br /&gt;O quadro que vi com o seu retrato, ele teria aproximadamente os seus 60 e tal anos, recorda a avó. Tinha um aspecto fisicamente frágil, adoentado até. O cabelo bastante curto, mas também ralo e com uma entradas pronunciadas junto às fontes. Usava pêra e bigode de tonalidade cinzenta clara, quase branca. O rosto era muito afilado, prenunciando exageradamente as saliências das maças da face, testa alta, orelhas pequenas, sobrancelhas bem alinhadas pretas, olhos com uma expressão mortiça, nariz enquadrado, uma boca de lábios finos que o bigode, apesar de aparado, esconde.&lt;br /&gt;Embora magro conseguia ser bem proporcionado. O que sobressaía, provavelmente pelo corpo esguio, era a altura. O tio era um homem alto. De mãos finas, dedos longos e ossudos. Os pés salientavam-se pelo comprimento.&lt;br /&gt;Discreto na forma de vestir, primava sempre pelos tons escuros: cinzento e preto e o seu inseparável chapéu.&lt;br /&gt;Possuía um andar vagaroso e mudo. Apanhava sempre conversas inconvenientes. Adorava gatos, tinha sempre um ao colo. "Sou matreiro como eles", gracejava o tio com sorriso tímido.&lt;br /&gt;De temperamento tranquilo, a sua atitude era pacífica: fingia não ouvir. Quando a sua presença passava despercebido, retirava-se silenciosamente conforme tinha entrado, sem ninguém dar por isso. Não discutia, se algo lhe desagradava ou um amigo o traía. Afastava-se, para constranger a pessoa que tinha errado. Esperava sempre pelo momento em que lhe era perguntado o porquê, ai dizia tudo o que pensava no mesmo tom de voz: baixo, pausado, com uma dicção perfeita.&lt;br /&gt;Viveu como morreu, de um modo simples. Optou por exéquias fúnebres discretas, era meticuloso, deixou tudo estava descrito em testamento.&lt;br /&gt;“ (…) E quero que se cumpra, que o meu corpo seja conduzido directamente d´onde morrer para a capella do cemitério de Agramonte, onde tenho o meu jazigo, em carro puchado por uma parelha e acompanhado por quatro homens com archotes. Prohibo terminantemente que se façam convites e se noticie por qualquer forma o meu fallecimento, porque não quero a assistir ao meu enterro senão o capelão do cemitério, que reza os responsos. (…)”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-3277121884652467748?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/3277121884652467748/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=3277121884652467748' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/3277121884652467748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/3277121884652467748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/10/alma-do-tio-francisco.html' title='A alma do tio Francisco'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Rwq0FlddEpI/AAAAAAAAAB4/D339iZWNZWs/s72-c/onTheGo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-3153053513119285734</id><published>2007-09-20T16:59:00.001+01:00</published><updated>2007-10-17T17:56:44.535+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Just look around...'/><title type='text'>Just look around....</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/RvPg0V8lPTI/AAAAAAAAABg/na51JZPYiAg/s1600-h/livros+III.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5112677191844707634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/RvPg0V8lPTI/AAAAAAAAABg/na51JZPYiAg/s320/livros+III.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Sim?! Uma cara avermelhada espreita por uma nesga.&lt;br /&gt;- Nada. Estou só a ver. Posso entrar?&lt;br /&gt;- Para quê?&lt;br /&gt;- Para conhecer. Gostava de ver a arquitectura. Sou arquitecta, para mim tem interesse profissional.&lt;br /&gt;- Que arquitectura? Isto está tudo a cair.&lt;br /&gt;- Pois está infelizmente, mas interessa-me na mesma. Posso?&lt;br /&gt;- Para quê?&lt;br /&gt;- Já lhe respondi. Para ver a arquitectura. Isto foi desenhado por Nasoni.&lt;br /&gt;- Se desenhou, desenhou muito mal, está tudo a cair. Estas coisas hoje em dia não duram nada.&lt;br /&gt;- Ah! Nem acredito. Não sabe o que estar a dizer...&lt;br /&gt;- De quê? De que está tudo a cair? Então, não vê? – Olha em direcção à casa – Até se vê por fora. E ainda duvida...&lt;br /&gt;- O senhor não percebe nada. Nasoni é um mestre da arquitectura. Ele construiu isto há 200 anos. Como o senhor quer que um edifício com 200 anos, sem obras, não esteja em ruínas? Claro que tem que estar, ninguém cuida.&lt;br /&gt;- Eu cuido. Mas só dos cães. Até podia ir indo fazendo uns trabalhinhos, mas o Sr. provedor tem que me pagar mais.&lt;br /&gt;- Posso entrar ou não?&lt;br /&gt;- Para quê?&lt;br /&gt;- O senhor cansa-me.&lt;br /&gt;- Porque?&lt;br /&gt;- Vamos ao que interessa e não mude de assunto. Posso ver a casa por dentro; sim ou não?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Porque não?&lt;br /&gt;- Porque não tem nada que ver. Está tudo a cair.&lt;br /&gt;- Não se interesse se está tudo a cair ou não. Eu quero ver na mesma. Posso?&lt;br /&gt;-Para quê? Se está tudo a cair? Vê por fora. Dá uma voltinha, descansadinha, por esses terrenos baldios e está aí o tempo que quiser até à noitinha. Para ver as coisas a cair, vê melhor por fora do que cá dentro. Acredite no que lhe digo, Até pode tirar fotografias, que não tem mal nenhum.&lt;br /&gt;-Mas por fora eu já vi. Quero ver por dentro. Posso?&lt;br /&gt;- Por dentro é igual a por fora, tem exactamente o mesmo feitio, só que vê ao invés.&lt;br /&gt;- Desisto. Vou falar com o provedor. Só mais uma coisa, porque não fecha as portas da casa?&lt;br /&gt;- Para quê?&lt;br /&gt;- Por várias razões. Entre as quais, para ninguém assaltar a casa.&lt;br /&gt;- Para levar o quê?&lt;br /&gt;- Para não entrar chuva e vento que prejudica e degrada mais a casa. As madeiras, algumas ainda devem ser originais.&lt;br /&gt;- Isto está tudo partido. Nas janelas do primeiro andar, não há vidro direito, tanto faz a chuva entrar por cima ou por baixo. Olha a treta!&lt;br /&gt;Olho para cima, e é verdade. A madeira das janelas está quase irremediavelmente destruída. O vidro não existe. As portadas interiores caem aos pedaços e algumas estão abertas, um convite a degradação rápida e impiedosa.&lt;br /&gt;- Mas com as portas fechadas protege, pelo menos, o rés-do-chão. A capela...&lt;br /&gt;- Na capela é onde dorme os bichos, mesmo ao pé do altar que é mais abrigado.&lt;br /&gt;- Concordo que tenham de estar abrigados. Mas não falta espaço neste quintal da frente, construíam uns canis quentes, cobertos e resguardados para os cães e andavam soltos.&lt;br /&gt;- Para quê? Se têm espaço lá dentro de sobra. Maior que um canil, têm um palácio por conta deles. Olhe é maior que a minha casa. Estão como querem. Vou me embora que tenho trabalhinho a fazer. Adeusinho! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-3153053513119285734?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/3153053513119285734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=3153053513119285734' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/3153053513119285734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/3153053513119285734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/09/just-look-around.html' title='Just look around....'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/RvPg0V8lPTI/AAAAAAAAABg/na51JZPYiAg/s72-c/livros+III.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-2931619838387073027</id><published>2007-09-17T20:23:00.000+01:00</published><updated>2007-09-18T14:23:10.496+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A chave...'/><title type='text'>A chave...</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Ru7VFkC2JoI/AAAAAAAAABY/exYl8iv7SnQ/s1600-h/200px-Quinta_Prelada1_(Porto).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111256918663767682" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Ru7VFkC2JoI/AAAAAAAAABY/exYl8iv7SnQ/s320/200px-Quinta_Prelada1_(Porto).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Ru7UpUC2JnI/AAAAAAAAABQ/mP5739WqC_s/s1600-h/quinta_prelada_6.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111256433332463218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Ru7UpUC2JnI/AAAAAAAAABQ/mP5739WqC_s/s320/quinta_prelada_6.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desci a rua o mais depressa que pude. Espreitei, novamente, pelo buraco da fechadura onde agora passa uma corrente grossa que prende a um cadeado.&lt;br /&gt;Vi os cães deitados ao sol junto canteiro da entrada. Rodei a corrente e espetei com o olho no orifício para tentar ver com a maior amplitude possível. Sinto-me como uma câmara rotativa que tenta gravar tudo ao seu redor. Há um cão grande que se levanta, mas não ligo, continuo a minha pesquisa pelas fretas da casa. Observo nos mínimos detalhes todos os ornamentos da casa. Abomino estar ali presa sem poder entrar, queria fechar as portas para proteger as madeiras, o interior da casa está, com tudo escancarado, tão vulnerável como uma criança.&lt;br /&gt;Sinto de repente e de um modo rápido algo frio que encosta no meu dedo despido pela sandália, alcança-me de raspão uns dentes aguçados, retiro o pé que estava para lá do portão num gesto brusco. Ainda é alta a diferença entre o portão e o solo, sem querer e na ânsia de ver é fácil cair na armadilha de ultrapassar a barreira de segurança. O cão não teve piedade, ainda sobrou um pouco da sua baba que vinha colada ao dedo. Eu tenho empatia com os animais, queria conquistar-lhes a confiança para conseguir entrar sem ter que me refugiar em cima de uma árvore qualquer.&lt;br /&gt;A missão augura-se espinhosa, juntos na entrada alvoraçados, num ladrar incessante de desespero por um pouco da minha carne. Terei que regularmente aparecer para aprenderem a reconhecer-me como alguém amigo. O que parece difícil, não se deixam convencer facilmente.&lt;br /&gt;Recuo em marcha-atrás, e revejo o quanto estão danificados os muros ainda existentes que circundavam a quinta.&lt;br /&gt;Do lado esquerdo, junto do muro ergue-se agora um edifício que, se não existir vigilância, poderá danificar, ainda mais, o que resta da parede. Existe um interesse arquitectónico e histórico que é sempre relegado para segundo plano, nem parece que o IPPAR se situa a aproximadamente 2 km deste local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os carros ali estacionados dão um óptimo encosto para quem, como eu, está decida a esperar. Até há hora anunciada falta bastante tempo. Espero. Tenho a tarde por minha conta. Cada vez que observo casa e os jardins como posso, vou descobrindo um pormenor novo, exactamente como num namoro. Existe sempre um detalhe que sobressai em determinada altura.&lt;br /&gt;Como posso imaginar, os trabalhos de remodelação desta majestosa casa. A visita de Nasoni, pela primeira vez, a pedido de D. António Noronha e Melo e sua mulher, D. Mariana Isabel Noronha, bisavós do tio Francisco.&lt;br /&gt;O arquitecto italiano chega ao Porto após contactos com nobres desta cidade. Depois de ter pintado os tectos do palácio de La Valeta, em Malta. Na altura o frei D. António Manuel de Vilhena era Grão-mestre da Ordem com o mesmo nome. Coincidência ou não. Mas estou certa que o acaso não pertenceu a esta realidade. D. Manuel Vilhena é filho de D. Ana Noronha, ainda familiar dos donos da quinta.&lt;br /&gt;Soube pela pesquisa que realizei, que Nasoni chega ao contacto directo com D. António Noronha através de um cunhado, que era arcediago do Porto. Talvez o deão Gerónimo de Távora e Noronha, protector do arquitecto italiano, seja o intermediário de tão nobre causa.&lt;br /&gt;Encostada a um carro, enquanto o calor me faz transpirar de cada poro toda a água que tinha no corpo.&lt;br /&gt;Imagino, a rua principal ladeada de árvores que refrescam os caminheiros, a terra batida onde se ergue a poeira cada vez que passa uma carruagem, o barulho dos cascos dos cavalos, ritmados, que batem certeiros no chão, o rodado tremelicando atira as pedras que calca para quem está por perto.&lt;br /&gt;O portão grande, majestoso. Aquele que se encontra a minha frente, imagino como estaria sempre aberto, com movimento de entrada e saída dos trabalhadores do campo, dos criados da casa, dos seus filhos, das gentes da terra, do lugar da Prelada, dos afilhados do tio. Era comum, membros das famílias nobres terem muitos afilhados, era a bênção que os menos afortunados podiam dar aos seus filhos. Uma espécie de garantia que os padrinhos, ricos, haveriam de assegurar o futuro do afilhado.&lt;br /&gt;Transporto – me para aquele tempo com a imaginação fervilhante de imagens: carros de bois, cavalos, burros carregados de materiais para a remodelação da casa. Carroças descem a rua, apeadas de trabalhadores que seguram a mercadoria e através de cordas atadas ao cabeçalho puxam vigorosamente pelo carro, que traz enormes pedras. Homens com pás às costas, madeira aglomerada nos cantos.&lt;br /&gt;Movimentos repetidos, gestos monótonos num trabalho pesado que faz erguer as paredes. A casa ganha forma. O espaço torna-se mais gracioso no traço do mestre Nasoni.&lt;br /&gt;Continuo à espera. Pára um carro com um aspecto velho à porta da quinta. Sai um casal com roupa de trabalho, dirige-se para o porta-bagagem e retira uns sacos de tamanho médio. A mulher de andar cambaleante tropeça numa pedra de dimensão considerável e solta um palavrão.&lt;br /&gt;- Não bês por onde andas? Bê onde pões as patas. És mesmo uma pêssega. Comenta atenciosamente o companheiro.&lt;br /&gt;- És muito simpático. Tens é muito paleio, botas muito verbo. Vê lá se não és tu a ir com a mona ao chão.&lt;br /&gt;- Vá, pega lá este saco da comida dos vichinhos. E passa-lhe para a mão um saco de plástico azul de aspecto gordurento. Confesso que já não estava familiarizada com este tipo de calão. Ao início, tive um pouco de dificuldade em descortinar o sentido da conversa, tive de apelar para toda a minha astúcia e concentração. O alemão entrou no meu ritmo diário. Quando falo português o calão ou o regionalismo nunca estão presentes. De modo, que me desabituei a determinados termos e até a sotaques.&lt;br /&gt;A mala do carro é fechada com as duas mãos auxiliada por um encontrão de anca, tudo isto, acompanhado com um forte arremesso do corpo contra a bagageira.&lt;br /&gt;- Isto está podre. Grita o homem arreliado.&lt;br /&gt;Atira algo que tilinta. As chaves do portão, como desconfiei. Encosto-me ao muro do lado oposto e agacho-me ligeiramente. Vejo agora por entre os vidros dos carros ali estacionados todos os movimentos.&lt;br /&gt;A mulher de chave em punho, vira-se para o portão, pega no cadeado e faz rodar a chave, tira a corrente que envolve os buracos de um antigo canhão de fechadura e empurra a metade da porta que se abre. Ela entra à frente. Deixa o portão semi-aberto. Ele entra a seguir e tudo é fechado.&lt;br /&gt;Aproximo-me da entrada porque pretendo entrar de qualquer forma, lícita ou ilicitamente. A chave está pendurada do lado de fora. Abeiro-me do portão, espreito pelo buraco e não vislumbro movimento. As portas da entrada para a casa continuam escandalosamente abertas, deixando a descoberto a privacidade que o tio tanto prezava. Sinto como um acto de violação.&lt;br /&gt;Envolta neste sentimento de “fazer justiça”, estou resoluta a arriscar o que for preciso para cumprir o meu objectivo. Tento abrir o portão para entrar, uma chiadeira insuportável faz se ouvir, volto a fechar apressadamente e escondo-me. Ninguém aparece para saber a origem de tal ruído. Não há tempo a perder. Tenho de arriscar, ninguém garante que me deixarão entrar alguma vez e jamais terei a oportunidade estar tão perto da chave.&lt;br /&gt;Retiro da minha carteira o blush, com o qual tento marcar um molde da chave, mas a matéria é dura para esse efeito. Necessito de algo com maior maleabilidade.&lt;br /&gt;Volto a mercearia e peço para ir a casa de banho, onde já tinha estado, a metade de sabão continua lá. Encho o lavatório com água e mergulho o sabão. Rapidamente amolece, seco-o e resgato-o para mala. Agradeço a gentileza, desço a rua. Agora sim, retiro a chave do aloquete e enterro-a no sabão. O molde ficou perfeito, aparentemente.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-2931619838387073027?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/2931619838387073027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=2931619838387073027' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/2931619838387073027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/2931619838387073027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/09/chave.html' title='A chave...'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Ru7VFkC2JoI/AAAAAAAAABY/exYl8iv7SnQ/s72-c/200px-Quinta_Prelada1_(Porto).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-7764922101210684144</id><published>2007-09-05T03:34:00.000+01:00</published><updated>2007-09-09T03:26:39.916+01:00</updated><title type='text'>Interlúdio -Faz de conta...</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Rt4bv7X3epI/AAAAAAAAABI/8yObp_nRS7I/s1600-h/imagecom-giardinidautunno.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106549537690319506" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Rt4bv7X3epI/AAAAAAAAABI/8yObp_nRS7I/s320/imagecom-giardinidautunno.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Faz de conta &lt;div&gt;Que o sol se esquece de acordar e a lua adormece&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Faz de conta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que alguém que te não vê e de repente te esquece&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Faz de conta &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que tens razão e alguém agradece &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Faz de conta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que a mentira se apaga e a verdade floresce&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Faz de conta &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que a cegueira se acaba e a luz aparece&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Faz de conta &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que ouves insultos e prosa renasce&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Faz de conta &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que a justiça se faz e para quem a merece&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Faz de conta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que as máscaras caem e tudo se desvanece.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Faz de conta &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que a pura verdade um dia regressa, e mostra a real face para quem a amizade é um jogo de interesse.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-7764922101210684144?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/7764922101210684144/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=7764922101210684144' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/7764922101210684144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/7764922101210684144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/09/interldio-faz-de-conta.html' title='Interlúdio -Faz de conta...'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Rt4bv7X3epI/AAAAAAAAABI/8yObp_nRS7I/s72-c/imagecom-giardinidautunno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-6870483293947503613</id><published>2007-08-31T03:01:00.000+01:00</published><updated>2007-08-31T03:10:44.772+01:00</updated><title type='text'>A visita à quinta</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Rtd3V7X3eoI/AAAAAAAAABA/196F-34jfgo/s1600-h/torre.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5104679921246501506" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Rtd3V7X3eoI/AAAAAAAAABA/196F-34jfgo/s320/torre.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Através do diário da Eduardinha, sobrinha da Mizi, tenho acesso a pormenores que de outra forma, jamais saberia.&lt;br /&gt;Aluguei um carro, porque a minha ausência do país e da cidade deixou-me de fora na remodelação das linhas do STCP. Procurava o que já não existia.&lt;br /&gt;Ganhei coragem e decidi hoje ir ver a casa na sua genuína destruição. Os emails enviados a Misericórdia para autorizarem uma visita à casa foram ignorados.&lt;br /&gt;Estou ansiosa. Tento ganhar tempo, necessito de descontrair, decido ir de metro. Entro na Trindade e saio em Francos. Conheço bem a zona, a avó Leonor e eu vivemos numa quinta em Ramalde ali próximo.&lt;br /&gt;Caminho na rua paralela à linha do metro e cruzo em direcção à Rua Airosa. Desconhecia o túnel que desagua no Bairro de Francos, talvez por não vaguear por aqui há bastante tempo. Atravesso para a Travessa da Prelada, no início do lado direito ergue-se agora um prédio que alberga famílias, foi um local de trabalho. Em criança achava graça aquela casa, que nada se assemelhava com uma fábrica. Em hora de almoço, as operárias juntavam-se junto ao portão com as suas merendas, algumas ainda traziam algodão no cabelo e o impregnado na bata cheiro dos tintos. Falavam alto, os trolhas mandavam piropos e metiam conversa. Era um alarido típico da hora de almoço.&lt;br /&gt;Hoje, cada um passa em silêncio de um lado para o outro, circunspectos sem um cumprimento. A evolução trouxe o acréscimo de população para o lugar, mais frieza e individualismo.&lt;br /&gt;À medida que me aproximo, as pernas custam a responder ao meu comando, tremelicam perante a tentativa de um passo firme.&lt;br /&gt;A torre descobre-se perante os olhos, a árvore que me tapa a vista desaparece.&lt;br /&gt;Quase caio de colapso. A destruição é superior ao que tinha imaginado; os vidros das janelas laterais estão totalmente partidos, outros inexistentes. Madeiras quebradas e despedaçadas, as portas arrancadas, os pequenos castelos que enfeitavam ao longo do muro da entrada, o pouco ainda existente, estão no mais completo abandono, como a casa.&lt;br /&gt;Desço o que resta daquilo que era um dos acessos da quinta, ainda em terra, logo ao lado da escola. Ainda resistem umas quantas casas que pertenciam a caseiros e a pessoas que moravam por ali. Aquela zona ainda faz lembrar o Porto rural do início do século passado; casas em pedra com terrenos de cultivo, carreiros estreitos e sinuosos em terra batida ladeados por muros alto, casas com telha à antiga Portuguesa, o silêncio. Não parece localizado em plena cidade. Vira-se as costas para a urbe e é outro mundo.&lt;br /&gt;A lixeira amontoam-se nos campos que circundam a quinta, os muros envolventes tentam subsistir ao tempo e à falta de obras, mas é difícil. A vegetação, sem regra, invade por onde pode, em cada frincha que se abre. É a desolação. Mesmo assim, a casa tenta sobreviver imponente às condições mais adversas. É heróica.&lt;br /&gt;Existe uma parte que foi deitada a baixo para abrir uma rua, penso que isso ainda é do tempo do tio Francisco, que doou ao município.&lt;br /&gt;Avisto uma pequena mercearia na rua principal, a antiga alameda de acesso particular à quinta. Entro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa-tarde!&lt;br /&gt;- Boa-tarde! Que deseja? Pergunta-me uma senhora de cabelo bem arranjado, loiro, de bata aos quadradinhos azuis e brancos e com um ar simpático.&lt;br /&gt;- Gostaria de saber alguma informação sobre a esta quinta?&lt;br /&gt;Comecei a escolher algumas peras que estavam num caixote de madeira. A mulher olhou seriamente para mim e parou o que fazia.&lt;br /&gt;- Saber o quê? Tudo o que há para saber está à vista, não lhe parece?&lt;br /&gt;- Há quanto tempo a casa está abandonada?&lt;br /&gt;- Fechada há mais ou menos 5 anos. Deteriorada? Dessa data para cá e cada vez pior.&lt;br /&gt;- Não vem cá ninguém?&lt;br /&gt;- Vêm. Normalmente por esta hora aparece por aqui um casal numa carrinha antiga, que vem dar comer aos cães. Porque?&lt;br /&gt;-Por nada. Gostava de visitar a casa. Ver em que estado está o labirinto. Reparei pelo buraco da fechadura do portão, que as portas da casa permanecem abertas o tempo todo.&lt;br /&gt;- Deixe-me aconselhá-la. Duvido que a deixem entrar de qualquer modo. Outras pessoas fizeram o mesmo pedido e justificaram-se dizendo que, “não podiam”, “ os cães podiam morder, não podem assumir essa responsabilidade”, “ não têm ordem para isso”. As razões são várias. Mas tente...&lt;br /&gt;Quanto ao labirinto, se for em direcção ao portão da quinta e virar à esquerda, e depois à direita, contornado sempre o edifício, irá ter às traseiras. Suba o muro e espreite. Aí terá uma visão boa do labirinto.&lt;br /&gt;Qual era a outra pergunta? Ah! As portas da casa estarem abertas. A mim o que me chateia, é ver a da capela totalmente aberta. Acho que merecia outro respeito. Mas eu digo-lhe, com as portas abertas tudo se destrói mais depressa.&lt;br /&gt;- Acha que fazem de propósito?&lt;br /&gt;- Não sei. A intenção que cada um, nunca poderei saber. Mas, contudo, de uma coisa tenho eu a certeza. Se houvesse interesse, existia mais cuidado. Zelamos pelo que queremos bem. Mas a menina está tão interessada na casa, porquê?&lt;br /&gt;- Bem...eu. Hesitei. Sabe, eu sou jornalista e estava interessada em fazer uma reportagem sobre o abandono das casas com relevante interesse público. Neste caso, a remodelação da casa e jardins circundantes foi um projecto de Nasoni, tem um valor histórico, não acha?&lt;br /&gt;- Se a menina é jornalista, acho bem. Faça o seu trabalho. Quem foi esse que fez isto?&lt;br /&gt;- Quem? O Nasoni? Foi um arquitecto italiano que fez obras importantes na cidade do Porto. Chamava-se Nicolau Nasoni.&lt;br /&gt;- Não o conheci e moro aqui há muitos anos, menina.&lt;br /&gt;- Tenho a certeza que não. Ele viveu no séc. XVIII. Ele é que projectou a Torre dos Clérigos.&lt;br /&gt;- Sabe o que tenho pena? Diz a pobre mulher com um ar triste.&lt;br /&gt;- Não faço ideia. O que é?&lt;br /&gt;- Aquela capelinha dá dó. Tantas vezes foi ali à missinha ao Domingo. Era como uma família. Todos os vizinhos iam, todos se conheciam. Era uma capelinha muito pequena, mas ajeitadinha. Escusávamos de caminhar até ao Carvalhido, aqui era mais perto.&lt;br /&gt;Olhe que a capela enchia de fiéis, muitos tinham que assistir cá de fora. Era bonito. Agora, menina, até dá pena.&lt;br /&gt;Chegam novos fregueses que cumprimentam. A senhora despede-se com um aceno e diz-me:&lt;br /&gt;- Costumam vir por esta hora. Já que está cá espere um pouco e tente.&lt;br /&gt;- Diga-me uma última coisa, por favor. E se eu tentar entrar às escondidas, quando eles abrirem o portão.&lt;br /&gt;- Tente. Responde-me em surdina. Se me perguntarem, eu nunca a vi por aqui. Em caso de precisar de alguma coisa, diga. E passa-me para a mão um bocado de papel branco com um número de telefone. Pisca-me o olho e entra rapidamente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-6870483293947503613?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/6870483293947503613/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=6870483293947503613' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/6870483293947503613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/6870483293947503613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/08/visita-quinta.html' title='A visita à quinta'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/Rtd3V7X3eoI/AAAAAAAAABA/196F-34jfgo/s72-c/torre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-7131436594228684550</id><published>2007-08-29T01:50:00.000+01:00</published><updated>2007-08-29T01:53:11.115+01:00</updated><title type='text'>Novo Capitulo</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/RtTC9LX3enI/AAAAAAAAAA4/Ve4deB7Pz_8/s1600-h/Livros+II.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103918633998318194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 430px; CURSOR: hand; HEIGHT: 221px; TEXT-ALIGN: center" height="186" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/RtTC9LX3enI/AAAAAAAAAA4/Ve4deB7Pz_8/s320/Livros+II.jpg" width="150" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora o narrador é personagem principal;&lt;br /&gt;Matilde, arquitecta em Viena, regressa a Portugal para descobrir a verdade....&lt;br /&gt;Qual? Veremos... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-7131436594228684550?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/7131436594228684550/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=7131436594228684550' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/7131436594228684550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/7131436594228684550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/08/agora-o-narrador-personagem-principal.html' title='Novo Capitulo'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_2Ez2_6qCWRI/RtTC9LX3enI/AAAAAAAAAA4/Ve4deB7Pz_8/s72-c/Livros+II.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-8635817714089390182</id><published>2007-08-27T16:05:00.000+01:00</published><updated>2007-08-27T17:37:23.512+01:00</updated><title type='text'>O que faço eu aqui?</title><content type='html'>A despedida da Mizi daquela casa foi custosa, eu sei. Nos dias que antecederam a saída, a minha tia ocupava-se o mais que podia. Arrumava tudo em cestos de verga e baús de madeira. O recheio foi-lhe doado.&lt;br /&gt;Enquanto os homens e galegos cirandavam de um lado para o outro, enchendo os carros de bois, mulas e burros para a mudança. A tia, conscienciosa, certificava se os animais tinham bebido água e se as carroças não se encontravam atoladas para os pobres bichos.&lt;br /&gt;Fez descarregar meia dúzias delas, por considerar que transportavam excesso de peso. Mesmo sobre os protestos dos homens.&lt;br /&gt;- Eu é que sei, defendia a tia.&lt;br /&gt;Aprendeu com D. Francisco a lutar pela constância das suas opiniões.&lt;br /&gt;Depois, corria de um lado para o outro, para que nada se quebrasse.&lt;br /&gt;Na véspera da saída, quis estar só. Percorreu os locais míticos, despediu-se dos caseiros. Alguns deles, também de partida, pelas expropriações realizadas pela Câmara a bem da utilidade pública, que os deixava sem tecto.&lt;br /&gt;Era o início do longo e lento esquartejamento que a quinta iria sofrer até hoje.&lt;br /&gt;Continuo sem saber em que dia estou. Fizeram-me uma festa para comemorar os meus 99 anos. Nem me lembrava, só me recordo da quinta e do passado.&lt;br /&gt;Levaram a cadeira de rodas para a sala, não queria ir. Estava a escrever no meu papel já gasto como eu.&lt;br /&gt;Quando lá entrei tive medo daquelas caras desconhecidas que se debruçavam ao meu redor, a fazerem-me festas no braço, na cara e a gritarem:&lt;br /&gt;- Parabéns! Parabéns! Parabéns! Nós já não chegamos à sua idade. Isto sim, é uma mulher rija.&lt;br /&gt;E batiam palmas entusiasticamente, pareciam gnomos em cima de mim com expressões patéticas, sobrenaturais.&lt;br /&gt;Os pequenos corriam desenfreadamente por toda a casa.&lt;br /&gt;- Eu quero ir para o meu quarto, preciso de escrever antes que me esqueça.&lt;br /&gt;- Mãe! por favor, nem hoje pára com aquela irritante e constante escrita. Estamos aqui todos juntos para comemorar o seu aniversário e a mãe nem um esforço faz, por favor! Falou uma delas com voz severa.&lt;br /&gt;Levanto os olhos e observo aquela figura antipática que, com certeza, vítima de algum engano me chamou mãe, porque não me lembro de alguma vez a ter visto.&lt;br /&gt;Entoam uma ladainha monocórdica de parabéns que me é dirigida. Continuo sem perceber porque se lembraram hoje de mim, de onde veio esta gente toda, que querem de mim. Eu nunca os vi.&lt;br /&gt;De repente, não sei porquê, recordei-me da estrada dos Carreiros que ia desde da Foz do Douro até Bouças. O pai era natural do lugar de Cadouços.&lt;br /&gt;Começou a namoriscar a mãe nas festas em honra de São Bartolomeu, era criadita de servir de uma família inglesa ligada ao vinho do Porto fabricado em Inglaterra. Tinham uma casa de veraneio na Avenida dos Carreiros, para onde se mudavam na estação quente.  Gostavam de assistir às festividades populares, os estrangeiros como lhes chamavam na zona, divertiam-se com os pés descalços, as roupas velhas e maltrapilhas dos homens do mar, com os pregões das vareiras na sua voz rouca, dos carros dos bois a puxarem os barcos.&lt;br /&gt;Os mais antigos que vinham da faina contavam como era duro atravessar o “Carreiro Mau”, na altura nu e deserto, só se avistava casas para lá da praia do Molhe. Apelidaram-no assim, pelos atalhos sombrios que percorriam a costa, as curvas sinuosas e estreitas em terreno esburacado, a incerteza do caminho escuro que de Inverno trazia a tempestade, a chuva, o vento forte e a areia atirada aos olhos não deixava ver a passagem. Por isso, era comum, avançarem todos em grupo com uma candeia. Existia uma escarpa rochosa, ainda alta, que descia até à areia, longo areal a desembocar no mar.&lt;br /&gt;A faina do mar era a vida daquela gente, os menos corajosos dedicavam –se à apanha  das lapas, mexilhões e percebas que desprendiam das rochas com um instrumento aguçado quando a maré vazava.&lt;br /&gt;Aqui, o ruído continua alheio aos meus pensamentos. Agora, comem todos bolo de aniversário que dizem ser o meu.&lt;br /&gt;Nas conversas que a mãe tinha com a tia Mizi na saleta, certa vez falaram de Lourenço de Magalhães muito em surdina. Como era segredo, fiquei à escuta por debaixo da janela, como o costume. D. Lourenço tinha ido visitar D. Francisco com um ar grave e sério para uma palestra a dois. Foi ai que conheceu Mizi, soube da sua existência e não gostou. Os dois cavalheiros trocaram palavras acesas, sempre com a maior educação. Depois, despediram sem o comum aperto de mão e D. Lourenço saiu. Eram interesses de partilhas, mexerico de família com a intenção de colocar os herdeiros em despique.&lt;br /&gt;D. Maria Cristina Pereira Gaio Noronha, mãe de D. Lourenço, fruto do seu primeiro casamento e D. Francisco Noronha, seu segundo marido.&lt;br /&gt;O viúvo resolveu bem a situação. Não gostava de conflitos e já tinha muito de seu. Deslocou-se ao tabelião na Praça Nova e declarou em documento lavrado, que nada queria da sua amada esposa, os bens revertiam todos para o filho.&lt;br /&gt;Os dois ainda chegaram a reatar relações cordiais. D. Lourenço morreu em 7 de Abril de 1901, primeiro do que D. Francisco de Noronha, que Deus o levou 3 anos depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-8635817714089390182?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/8635817714089390182/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=8635817714089390182' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/8635817714089390182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/8635817714089390182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/08/o-que-fao-eu-aqui.html' title='O que faço eu aqui?'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-2713395918295228008</id><published>2007-08-23T15:53:00.000+01:00</published><updated>2007-08-24T12:20:40.486+01:00</updated><title type='text'>O prejuízo na romaria</title><content type='html'>Coube- lhe por isso, a casa, a quinta e uma terça. Todos os herdeiros ficaram bem, era família de posses. Ao resto da prole, cada um recebeu "dezasseis conto em terras, isto é, quase quatro mil libras em ouro".&lt;br /&gt;Em pequena percorria a casa como se tratasse de um palácio. Com os filhos dos caseiros, pobres nos seus trajos, assemelhava-me a eles no comportamento. Nós também éramos de origem muito humilde, mas a mãe tinha soberba de ascensão social, julgando que por minha tia ser companheira de D. Francisco lhe dava algum estatuto.&lt;br /&gt;A expressão de escândalo assoma ao seu rosto, quando me aproximava depois de uma tarde toda a brincar com os gaiatos, como lhes chamava.&lt;br /&gt;- Como é que a menina foi-me capaz de fazer uma coisa destas?&lt;br /&gt;- O que foi que fiz, mãezinha? perguntava com a inocência "de quem não deve e não teme".&lt;br /&gt;A tia Mizi era condescendente&lt;br /&gt;- São crianças. Entre eles não há ricos nem pobres, dizia.&lt;br /&gt;- A mana já viu. Toda suja, como vou agora para a rua com a Eduardinha, vão pensar que é filha de uma lacaia qualquer.&lt;br /&gt;- Eu empresto um xaile.&lt;br /&gt;Eu tinha rebolado no chão, percorrido a mata a brincar aos polícias e ladrões, molhado os pés e pernas no lago, enquanto os outros tomavam um vigoroso banho, subido às árvores, jogado à lata velha. O resultado era o meu lustroso vestido amarfanhado, colorido de castanho terra com umas pinceladas de cor negra ao longo de toda a peça, as rendas brancas que enfeitavam a bainha da saia sobressaia-lhe diversos cortes, mas todos simétricos. Na verdade, na altura, não achei que estivesse mal. Mas aí de mim que pronunciasse algo em minha defesa. Naquele tempo não se respondia aos pais. Os olhos arregalados da mãe e o sinal de negativo que fazia com a cabeça, chegaram para ficar de castigo sem ir ver a tia. Foi a última vez que lá fui.&lt;br /&gt;Recordo cada passo com eterna saudade. Passados 6 meses, Mizi entregava a casa à Misericórdia, com era vontade expressa de D. Francisco, e nunca mais aquela casa foi igual. Esse ano, 1904, foi o melhor da minha vida, pela liberdade que sentia ao percorrer aquela enorme distância, como brincava feliz, como a vida era tão fácil. A idade tolhe-nos.&lt;br /&gt;Nos momentos de maior ânimo, as manas sentavam-se na salinha do Pelicano, a beberem o seu chá acompanhado com os chiques biscoitos ingleses. A mãe deliciava-se com as histórias que a tia recontava sobre D. António da Prelada, irmão de D. Francisco. Rapaz vivo, folgazão, que gostava de se meter em apuros e desafiar a vida. Quando na romaria do senhor de Matosinhos se abeirava um par de namorados, afoito, pregava um beijo na moça para provocar o namorado que lhe vinha pedir contas. O barulho começava, arremessava-se os jovens em luta no jogo do pau, em que os paus zuniam no ar em pancadas secas e compassadas entre o ataque e a defesa. Defendia-se a honra da donzela com um duelo de cavalheiros. Outras vezes, D. António galopava velozmente pelo recinto da romaria até as tendas de loiças de barro, avançava como se estivesse o animal assustado, fazia tudo em cacos. As mulheres alvoraçadas com o prejuízo, gritavam, insultavam o fidalgo, corriam atrás dele com as mãos no lenço preto que lhes cobria a cabeça. Juntava-se gente que fala ao desbarato, logo após a confusão, regressava o D. António, galhofeiro, com um sorriso nos lábios. Perguntava o custo da despesa e pagava generosamente, partia montado no seu cavalo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-2713395918295228008?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/2713395918295228008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=2713395918295228008' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/2713395918295228008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/2713395918295228008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/08/o-prejuzo-na-romaria_23.html' title='O prejuízo na romaria'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-1943917374851544331</id><published>2007-08-09T19:40:00.000+01:00</published><updated>2007-08-13T10:40:53.206+01:00</updated><title type='text'>A romaria, Senhora-a-Branca</title><content type='html'>Quanto entrávamos, o portões fechavam- se à saída da charrete. A minha mão era solta, com um sinal de "podes ir brincar".&lt;br /&gt;Depois de rezarem na capela, entravam para a salinha, onde sempre conferenciavam para os criados não ouvirem. Eu já não desgrudava das suas sombras, escondida debaixo da janela, normalmente aberta.&lt;br /&gt;A tia estava mal, doente, fadigada. Tinha um ano para sair daquela casa e levar consigo tudo o que estava "dentro de portas". Confessou à mãe que estava a ser pressionada por um homem, do qual não me lembro o nome, da Misericórdia do Porto para entregar a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eles estão a molestar-lhe?" perguntava a mãe indignada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Diria antes que pressionam insistentemente"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não deixe. O Francisco deu- lhe 1 ano para sair, de forma a organizar a sua vida, mana."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que posso eu fazer?Estou cansada. Acho que um cabido da Sé deseja vir para cá morar."&lt;br /&gt;Não cheguei a conhecer Francisco Noronha, se conheci, não me lembro.&lt;br /&gt;A tia comentava que em solteiro era amigo de umas boas caçadas. Gozou bem a vida nas farras com os amigos, não era de mulheres. Pacato, tímido, gostava de conviver com os amigos. Casou tarde, aos 40 anos.&lt;br /&gt;Eram uma prole grande, 8 irmãos. Sempre unidos nos eventos familiares.&lt;br /&gt;D. Manuel, o mais velho, morreu num acidente na romaria da Senhora-a-Branca, em Braga, junto a um circo quando fazia acrobacias a montar uma égua em paródias de gaiato.&lt;br /&gt;D. Francisco era o filho que se seguia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-1943917374851544331?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/1943917374851544331/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=1943917374851544331' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/1943917374851544331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/1943917374851544331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/08/quanto-entrvamos-o-portes-fechavam-se.html' title='A romaria, Senhora-a-Branca'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992415640578030469.post-8138057434339629355</id><published>2007-08-06T15:24:00.000+01:00</published><updated>2007-08-24T12:39:38.525+01:00</updated><title type='text'>Carta da sobrinha da Mizi</title><content type='html'>Escrevo a pensar que alguém um dia me lerá. Tenho a certeza que aparecerá a pessoa certa, a quem esta informação será útil: para fazer justiça, por curiosidade, para conhecer a verdadeira história, por nada. Escrevo-te esta carta,porque aqui já ninguém quer saber do que uma velha, que julgam louca, tem para contar.&lt;br /&gt;Pedi hoje para me levarem a ver a casa pela última vez. Não sei em que dia estou, mas deve ser primavera porque vejo da janela o jardim da casa em frente todo a florescer. Decorre o ano de 1998.&lt;br /&gt;A desolação toma conta de mim, quando ao visitar o interior da casa reparo nas adaptações que realizaram para o Lar de Terceira Idade que ali está albergado.&lt;br /&gt;Um elevador ferrugento tomou conta da sala do piano, no primeiro andar fez desaparecer o corrimão entrançado em mogno. Os tectos com frescos foram substituídos pela vulgar tinta branca, agora já coçada. A tinta de óleo que embelezava o espaço nas suas cores rosa e pastel perderam a vida, o papel de parede em relevo que revestia as salas onde posavam os quadros de Sequeira, não existem.&lt;br /&gt;Agora, a casa não tem alma. As empregadas circulam de um lado para o outro nas suas fardas, enquanto aqueles vultos sentados dormitam sem nada para fazer. Volto para o meu mundo, porque quero escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabe absolutamente nada. Talvez até porque não lhe interesse pensar nisso.&lt;br /&gt;Sigo-lhe os passos sem que dê conta. Ao longe. Atenta. Desperto para aquele vulto abandonado à sua sorte, na intempérie ergue -se a torre, sombria, só. Já não tem a utilidade e beleza doutros tempos, era majestosa.&lt;br /&gt;Quando se descia pela calçada em terra batida, a charrete tremelicava, as cortinas de cetim vermelho carmim corriam na calha de um lado para o outro, tilintando. Ao longe, no caminho que dava acesso à quinta, ela aparecia soberba, imponente. Era visível da entrada. Existia um muro baixinho, que separava o carreiro dos campos agrícolas.&lt;br /&gt;Depois, passávamos os obeliscos e ai era outro mundo.Era criança e tudo me encantava. Na altura a minha tia sentia uma estranha solidão. D Francisco Noronha tinha morrido há 2 meses, eu ia com a minha mãe, já viúva, consolar a titia Mizi. As irmãs juntas na mesma sorte, dizia minha mãe.&lt;br /&gt;Passávamos aquele portal majestoso, a charrete cortava à esquerda e deixava-nos ao pé do lago.&lt;br /&gt;Eu saía vaidosa, por ter uma tia que morava naquele palacete.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992415640578030469-8138057434339629355?l=manuscritum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuscritum.blogspot.com/feeds/8138057434339629355/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3992415640578030469&amp;postID=8138057434339629355' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/8138057434339629355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992415640578030469/posts/default/8138057434339629355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuscritum.blogspot.com/2007/08/no-sabe-absolutamente-nada.html' title='Carta da sobrinha da Mizi'/><author><name>Elsa Semedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10279864596141688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_2Ez2_6qCWRI/SUAcsZfueXI/AAAAAAAAANg/UJKSdWDFaIQ/S220/Elsa+Semedo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
