Happy New Year!

Happy New Year!
Cheira-me que está aí alguém.... então, não cumprimentas?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O que aconteceu?



Estou caída na pedra fria, frágil, tonta e perdida de mim mesma. De repente não sei onde estou. Onde estou?
A minha perna direita está dormente, tenho a testa ferida, uma aguadilha percorre-me a cara e dá comichão. Acordei neste local gélido, olho em redor à procura de algo que identifique. Vejo claramente por uma janela destruída no cimo, a lua cheia que ilumina a noite e o espaço a onde me encontro. Há um foco que trespassa aquele buraco na parede e projecta-se na destruição e na sujidade. O chão é frio e ao redor amontoam-se paus e pedras. Agarro com forte e ergo-me com a mão numa soleira ainda um pouco alta. O barulho que faço ao tentar amparar-me ecoa pelo ar. Estarei sozinha? Não me consigo lembrar do que me terá acontecido. De pé vejo alguns barrotes no chão e bocados de balustres pertencentes a um corrimão. Os meus olhos já se habituaram à penumbra. Caminho estonteante, os pés esbarram na imundice da tralha tombada aqui e ali. Ali só as paredes resistem, o resto não aguenta a passagem do tempo.
Um som de pássaro agoirento vagueia na noite, apesar de um luar límpido. Quero reconhecer aquele local.
É um lugar insípido, de grande altura com paredes em pedra. Defronte, num ponto mais alto, aparece algo que se assemelha com um nicho de alguma dimensão na parede. Encaminho-me para lá, um degrau alto separa o espaço. Aquilo é um altar, eu estou numa capela nua, completamente despida dos adereços habituais que caracteriza aqueles sítios. No topo, a porta de madeira de acesso ao exterior está trancada, pelo menos pelo interior na abre, atrás de uma cortina de tecido aveludado e rota esconde-se uma passagem que dá para um átrio amplo e escuro como breu...

sábado, 19 de janeiro de 2008

Ai! Que bom liberdade...


Ai! Que bom liberdade.
Fazeres o que quiseres
sem que ninguém faça alarde.
Se fazes bem ou mal,
Só tu sabes, só tu decides,
se vais ou ficas.
Sem criticas,
boas ou más, não importa.
A tua vontade comanda,
o tempo é todo teu.
Não tens ninguém que te limite
com acusações infundadas,
inventadas, disparatadas.
Não tens ninguém que queira
"comprar-te" o pensamento,
que mine as tuas decisões,
que faça escárnio com os teus sonhos
e convicções.
Ai! Que bom liberdade.....
És dono de ti, gestor do teu tempo.
poeta do teu mundo...
Ai! Que bom liberdade....




*****Podem continuar a prosa nos comentários...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

A matilde vai voltar...em breve


Depois deste intervalo das festas e do lançamento do livro Taxicidade, a Matilde está de volta. O tempo continua curto e a inspiração, às vezes, trai a vontade de escrever, mas vamos fazer um esforço, não é Matilde?
A personagem Matilde continua à procura da verdade, da história da sua vida. Encontrou uns primos que a vão ajudar com muita informação útil e imprescindível para alcançar a verdade.
A família está unida, todos almejam pelo mesmo objectivo; ver a Casa da Prelada com a dignidade que ela merece, a preservação de um património que é de todos nós, um legado histórico e arquitectónico que não queremos perder. A entidade a quem compete a sua manutenção está a falhar, a ser negligente. Já se perdeu muita coisa, alguma irrecuperável.
A Matilde tem pressa de dar a conhecer a toda gente esta situação, de abanar consciências, de fazer tanto alarido para que alguma coisa seja feita antes que seja tarde demais!
Vamos nos apressar, encafuar nos arquivos, recolher informação, domar esta imaginação rebelde e teclar, teclar, teclar, teclar, preencher muitas folhas em branco....Vamos ao trabalho.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

As histórias de um táxi no Porto contadas em Lisboa


TAXICIDADE apresentado na capital


"Um táxi. Cinco motoristas. Cinco dias úteis. Inúmeras histórias escritas nos estofos gastos de um velho Mercedes. O passo lento do taxímetro leva ao destino personagens que se revelam durante o percurso da viagem e das suas vidas."

O Magnólia Caffé, no Centro Comercial Saldanha Residence, recebe no próximo sábado, dia 12, a apresentação em Lisboa do livro, após um primeiro lançamento no Porto, no passado dia 20 de Dezembro. Mais uma vez, os comentários dos autores são acompanhados pela encenação de alguns excertos dos contos, por parte de um grupo de actores.

Taxicidade é um livro que nasceu do encontro entre cinco jovens desejosos de escrever e explorar em texto a sua criatividade. Andréa Menezes, Bruno Oliveira, Carlos Luís Ramalhão, Elsa Semedo e Nelson Reis conheceram-se num workshop de escrita criativa. O gosto pela literatura e as afinidades levaram-nos a manter o contacto após o fim do curso.

Foi num desses encontros que surgiu a ideia de aproveitar as diferenças de estilo para criar uma unidade comum – um livro cujos contos reflectem bem a individualidade de cada um, mas cujo tema central confere o fio condutor necessário à narrativa. Um táxi. O Porto. Cinco dias. E o resto ficou ao critério de cada um… O resultado é agora editado pela editora Pé de Página.




12 de Janeiro
16 horas
Magnólia Caffé
Centro Comercial Saldanha Residence
Loja 0.06Av. Fontes Pereira de Melo nº 42 E
Lisboa
http://65.110.80.140/espacos.cfm?zona=2

domingo, 6 de janeiro de 2008

A Matilde está de volta, mas antes um excerto da Missão Táxi ....


Missão Táxi” in Taxicidade
Uma mulher ambiciosa que sabe usar as oportunidades a seu belo proveito. Um taxista apaixonado com horror a poesia. Um fidalgo excêntrico e de bom coração membro da policia espacial, consultor das políticas interplanetárias, mandatário dos Serviços de Ordenamento da Via Láctea e Assuntos Externos e demais títulos. Um retrovisor curioso, eis a “Missão Táxi” in Taxicidade.


" (...)
- Que estória triste a tua. Estou impressionado, sofreste tanto. Mas agora ninguém te fará mal, eu estou aqui para te proteger.
O sorriso trocista de Carla reflectiu-se em mim. Suspirou.
- Agora sim, estou salva das atrocidades do mundo. Não há Adamastor que me assuste.
- Esse era teu cliente?
- Quem? O Adamastor? Era, era um cliente muito antigo que eu tinha, que me fez passar o Cabo das Tormentas.
- Quando ele for ter contigo de novo, dá-lhe o meu número de telemóvel. Diz-lhe que eu quero-lhe falar com urgência.
- Amor, acho que não vai ser possível, ele foi ao encontro do Vasco da Gama e ainda não voltou da viagem.
- E quem é esse, também?
- O Vasco da Gama? É outro cliente.
- Tu estás bem servida, tantos gajos.
- Já Luiz Vaz de Camões os cantava.
- Ai! Brincalhona! Esse não é cliente, que eu sei. Afirma o taxista com ar sapiente.
Penso que Carla, por vezes, só não desesperava porque lhe daria muito trabalho. Descomedido, para aquilo que António valia. Mesmo assim, experimentava por um lado mais pedagógico.
- António, o Adamastor é uma figura mitológica, que simboliza a força da natureza como obstáculo à vontade do homem. Entendes?
- Como queres tu que entenda essas coisas que dizes…. Eu nem sei do que estás a falar!!! Que o Adamastor era uma figura micro….qualquer coisa…microscópica? Então era pequenino? Se é pequenino porque têm, assim, tanto medo dele?
Sempre que se tenta explicar algum significado a esta criatura; as perguntas ridículas e completamente despropositadas são em chorrilho. O que deixa qualquer pessoa desmotivada para um esclarecimento extra.
- Não, não. Ouve bem, vou explicar-te pormenorizadamente: O Adamastor aparece num poema épico de Camões, um escritor português. Até agora tens dúvidas?
- Não, até agora percebi tudo.
- Essa personagem simboliza um gigante, uma espécie de obstáculo para intimidar os navegadores portugueses a não irem mais além. O poema que te falo, narra as conquistas dos homens do mar que tentavam navegar por trajectos nunca antes descobertos. O Adamastor é um gigante que se forma de uma nuvem, para amedrontar os audazes que lutam contra a força da natureza, o mar. Isto é tudo metafórico. Entendes? Ora conta lá por palavras tuas.
Eu, um simples retrovisor, tinha compreendido perfeitamente. Mas…o riso, esse, já não continha há largos minutos. Se a minha gargalhada fosse audível aos humanos seria um trovão em plena tempestade, se o meu sorriso fosse luz seria um clarão que iluminava a cidade. A expressão de António era, contudo, indescritível: um misto de espanto e de assombro, parecia que o gigante Adamastor lhe tinha surgido em carne e osso no auge da fúria.
- Sim…eu entendo…portantos, o gigante Adamastor apareceu montado numa nuvem aos marinheiros que andavam à procura do caminho porque o mar estava bravo. O gigante quer meter medo aos marujos, mas é tudo mentira…é bluff, invenção do tal, … Camões. É assim, não é?
Carla está rendida. Nem ela, familiarizada às invenções engenhosas que a sua actividade profissional a obriga, teria se lembrado desta versão tão carinhosa do Adamastor, um autêntico boneco de peluche num formato mais erudito. Habituada a grandes combates, decidiu tentar intelectualizar, mais uma vez, António.
- Que bluff? Tu não vês que estas narrações são fictícias. Isto é poesia, criação, criatividade! Faz parte de uma obra literária, é um universo fantasioso, único, de uma obra de arte. Consegues perceber a profundidade disto, António? Dizia em tom declamatório.
- Meu bem! Eu não te quero arreliar, mas eu sou mesmo bom no volante. Essas coisas que me falas são bonitas, gosto de ouvir, mas não percebo.
- António! Isto é fantasia, cada cabeça pode inventar uma estória, múltiplas personagens; cada personagem tem um carácter, uma fisionomia, tem uma vida que se vai multiplicando em contactos, esses conhecimentos também têm vida própria e amigos, e assim, vai crescendo uma obra que se transforma em numa “cidade imaginada”. Todo o livro contém elementos fantasistas criados pelo seu autor. Entendes?
-Entendo, docinho. Entendo que cada estória é inventada por um escritor. Como fez o Luiz Camões que inventou tudo porque, se calhar, estava chateado com a vida. E depois, decidiu prejudicar a quem, anda lá na lida do mar. Estes artistas não são de confiança. Põem - se com brincadeiras dessas, depois ficam sem um olho, tomara…
O meu riso continua convulsivo, como acontece com aqueles actores que quando sobem ao palco, ainda sem dizer nada, arrancam à plateia gargalhadas. António para mim é assim: Aparece constantemente com aquele ar apalermado, de cabelo desalinhado, olhos curiosos, com um sorriso plástico. É impossível de resistir.
Carla não perde a pose, perante as constantes demonstrações de sabedoria de António. E continua, na sua solitária marcha rumo à instrução de uma mente simbólica.
E explica, já no limite da paciência:
- Por isso, vou recapitular: Ninguém se perdeu no mar, e muito menos apareceu um gigante montado numa nuvem. Entende de uma vez por todas, Luiz Vaz de Camões é um escritor quinhentista, que descreve, entre outros, a epopeia dos descobrimentos Portugueses. Na altura, Portugal desenvolvia a expansão através da conquista de novas terras, era pelo mar que os homens rumavam ao desconhecido nas suas embarcações. Eram destemidos marinheiros que partiam na busca de riqueza e matéria-prima. As especiarias, o ouro, a prata, o café, entre outros, foram produtos que originaram um movimento intenso de trocas comerciais nos portos marítimos Portugueses. Eu nem vou pedir, para repetires o que eu disse, porque com certeza teria algum ataque de cólera. Mas compreendeste o que eu falei?
- Claro que compreendi. Tu explicas tão bem. Queres que repita?
- Será preferível não arriscar. Prodigioso como és, tenho horror do que possa suceder ao teu cérebro, com tanta informação a ser canalizada de forma errada….algo iria estoirar, com certeza.(...)

sábado, 22 de dezembro de 2007

Feliz Natal!

RecadosAnimados.com
Saúde para todos, Esperanças e fé renovadas, tolerância e amizades reforçadas, amor em demasia. Que a alegria nunca se acabe, mas se fraquejar, que seja a alavanca para a felicidade. Feliz Natal!





sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

TaxiCidade



Não me esqueço dos contos de Natal, mas interrompo a minha intenção por algo importante.
Porque estou feliz?
Porque pode ser um início de um sonho. Algo materializado na nossa mão e digo nosso, porque não é um projecto só meu, mas de um grupo com um sonho comum.
Aqui, onde me posso expressar livremente não obedecendo a critérios alheios. Aqui, onde me encontro e podem ler os que comigo estão ou já não.
Aqui, para quem visita há um interesse qualquer, seja ele qual for. Quero partilhar que estou feliz, muito feliz e não tenho que esconder ou assumir um falso e contido:
-Ai! que bom! Que fixe!
Não. Estou mesmo feliz, feliz a valer...
Não festejei com pulos, abraços ou pinotes no ar. Não. Estou calma, como já contasse com isto há muito tempo, apenas esperasse o momento certo. Chegou!
Estou com um sorriso na cara que permanece eternamente e acho que vou adormecer com ele, se conseguir adormecer hoje....
Agora, sei que há uma caminhada pela frente. Mas é um início, um caminho novo....Vamos lá....Quem vier por bem, venha também...